O Palácio da Pena e os Mistérios de Sintra

De entre as montanhas sagradas, Sintra destaca-se como um dos santuários mistéricos mais incensados desde a antiguidade. Gil Vicente, João de Barros ou Ricardo Srauss haviam de consagrá-la como Jardim de Klingsor, sublinhando astrolatrias milenares. D. Fernando Sax-Coburgo Gotha fê-la Monte Abiegno, transmudando a Pena numa autêntica mansão filosofal, no sentido em que expressa, organicamente e como epifania do lugar, uma ideia sob forma emblemática. Adjectivos tais como romântico, eclético, exótico ou revivalista não contribuem em nada, antes pelo contrário, para desentranhar e patentear a semântica que lhe está subjacente. Torna-se, portanto, indispensável perseguir motivos mais consentâneos com o objecto que se visa estudar. Razões que as razões supostamente ilustradas das academias e da historiografia de arte contemporâneas desconhecem ou, quando não ignoram, tentam amesquinhar, para fazer valer os seus pontos de vista meramente formalistas. Eis um percurso dedicado a quantos aspiram ascender ao Castelo do Graal pelas veredas sinuosas da natureza naturanda.