Banquete do Ovo de Páscoa - Sexta-feira Santa

As prerrogativas e sentidos que outrora capacitavam para o entendimento dos mistérios da vida e do cosmos parecem , paradoxalmente, menos acessíveis nos nossos dias do que em tempos pretéritos. O nosso tempo lida com muita informação, porém com pouco ou nenhum conhecimento essencial. As gerações submetidas aos sistemas educativos contemporâneos são progressivamente mais ignorantes que as anteriores. Quantas crianças e adolescentes hodiernos conseguem identificar a Estrela Polar e achar o Norte? É que uma vez negada a dimensão espiritual do ser humano e reduzido este simplesmente à sua componente biológico-genética, viver tornou-se sinónimo de automatização de algumas técnicas normalizadas e bastantes para lograr obter emprego e, graças a ele, usufruir a existência consumindo e matando o tempo com passatempos inofensivos.
A alternativa proposta tradicionalmente passa pela revitalização cíclica dos ritmos primordiais. Ora, a Páscoa, período em que se comemora o renascimento primaveril do cosmos, após a morte natural ou sacrificial da sua anterior personificação, é uma das épocas mais propícias para a humanidade renovar a aliança com ambas as naturezas, imanente e transcendente, sincreticamente simbolizadas pelo Ovo.