Santíssimo Sacramento


 

          Sagrada no dia 23 de Outubro de 1730 (segundo dia do oitavário da sagração) pelo Bispo de Leiria, Dom Álvaro de Abranches. Contém relíquias de São Vicente, Santo Anastácio e São Venâncio no sepulcro do altar. O sermão foi pregado por Frei José de Beringel, da Ordem Seráfica, abordando os temas do Reconhecimento a Deus, dos Tributos que lhe são devidos e dos estatutos no novo Templo determinados.

          O Tabernáculo colocado nesta capela foi encomendado por Abreu (Carta de 20 de Junho de 1730), "semelhante ao que se põe em forma de Coluna de Altar da Confissão de São Pedro [de Roma] no oitavo dia de Corpus e nas exposições de Jubileu, sobre o qual se costuma expor o Santíssimo", sublinhando que fosse feito "debaixo das justas medidas e proporções que tiver o de São Pedro, porquanto deve ser o que vier semelhante em tudo", o que mais uma vez retrata a constante emulação de Roma no tocante a Mafra.

          Na banqueta do altar observa-se um baixo-relevo em metal cinzelado, representando a Última Ceia, atribuído a João José de Aguiar [515 x 170 mm]

          Fechada com cancela de Garnier [h = 5,115 m] guarnecida de bronze, constituída por 54 balaustres  e 10 pilares  com 8 castiçais da mesma matéria sobre ela. A porta primitiva possuía 2 batentes, com 5 balaustres cada um. A cancela foi ampliada, em Agosto 1807 sob a direcção do capitão Mateus [Memórias de Mafra], para o dobro da sua largura.

          Da abóbada encontra-se suspenso um candelabro sustentado por três cordas metálicas com armação de ferro e guarnições de bronze, nas quais sete golfinhos suspendem pela boca outras tantas lâmpadas do mesmo metal.

          Durante a Semana Santa, diante desta capela, era uso, no tempo de D. João V, arderem 440 velas no Trono grande [actualmente arrecadado na Casa da Fazenda], i. e., 62 arrobas e alguns arráteis de cera (cerca de 950 Kg).

          Um dos órgãos do Sacramento está assinado sobre chapa de metal: "António Xavier Machado o fez em 4 de Outubro de 1806".

 

          Coroação da Virgem pela Santíssima Trindade

          Giusti cegou antes de ter terminado este retábulo [5,5 x 2,85 m], o qual substituiria um óleo s/tela homónimo [6,72 x 3,07 m], pintado (1732) por Agostino Masucci. A remessa dele é solicitada por Abreu em Carta de 10 de Janeiro de 1731. Pier Paolo Quieto [p. 100] considera que o seu esquema compositivo se inspira no retábulo de Maratti, intitulado A Glória de São Carlos e Santo Ambrósio (igreja de S. Carlo al Corso).