Mamíferos


 

Coelho Bravo (Oryctolagus cuniculus)

          Espécie representada na Tapada. Distingue-se da lebre por ser mais pequeno que ela. Quando se sente ameaçado corre em ziguezague para despistar o perseguidor.

 

Gamo (Dama dama)

          Mamífero da família dos cervídeos.

          Em 1872, o Rei Victor Manuel ofereceu a D. Luís dois casais de gamos para a Tapada de Mafra (Tomás de Mello Breyner, p. 308), os quais terão desaparecido ao fim de 3 ou 4 anos, reaparecendo os seus descendentes passadas cerca de duas décadas.

          Os machos distinguem-se das fêmeas porque possuem hastes espalmadas, cuja dimensão aumenta com  a idade do animal, as quais, no entanto, caem todos os anos durante a Primavera (Março-Abril), tornando a crescer de imediato.

          Uma contagem efectuada no ano de 1938 apontava para a existência de cerca de 120 gamos (a maioria fêmeas), outra contagem, empreendida em 1996, registava cerca de 400 indivíduos desta espécie na Tapada, circunstância que implica, apesar das crias e das fêmeas prenhas serem frequentemente predadas por raposas, a necessidade de, ciclicamente, proceder ao abate selectivo do gamo, designadamente dos machos (prática iniciada em 1982).

 

Gineto (Genetta genetta)

          Mamífero da família dos viverrídeos, representado na Tapada de Mafra.

          Assemelha-se a um gato pequeno com pelagem de cor cinzenta-amarelada percorrida por manchas escuras. Tem cauda longa, com anéis alternadamente claros e escuros.

          Trata-se de uma espécie carnívora, nocturna, que trepa às árvores com agilidade.

          A sua presença é facilmente detectada, mercê de um hábito peculiar: deposita os excrementos sempre no mesmo local, formando montículos denominados latrinas.

 

Javali (Sus scrofa)

          Mamífero da família dos suídeos, hoje abundantemente representado na Tapada de Mafra, porquanto, no ano de 1886, o início da Administração da Tapada pelo Director dos Trabalhos Agrícola-Pecuários, coincide com a extinção da espécie.

          O javali é uma espécie omnívora que vive em grupos denominados varas, cuja composição é variável. Ao contrário do porco doméstico, tem o corpo coberto de pelo grosso e comprido, cuja coloração varia em função da idade do animal: as crias apresentam listas longitudinais, de cor castanha clara, que perdem cerca dos seis meses, para adquirirem uma pelagem castanha clara e homogénea, a qual, atingida a idade de um ano, é substituída pela de cor cinzenta e negra característica dos adultos. Os machos adultos possuem os dentes caninos assaz desenvolvidos.

          Durante o período do cio os machos combatem entre si pela posse das fêmeas que podem ter, em meados de Março-Abril, entre duas e doze crias.

          Não existe qualquer recenseamento preciso sobre a população de javalis existente na Tapada de Mafra. Uma vez que é muito prolífico e não tem predadores, é necessário recorrer ciclicamente ao abate selectivo dos excedentes que, de outro modo, poderiam pôr em risco o ecosistema.

          A sua caça é realizada em noites de luar, aguardando o caçador nas portas, sitas em pontos estratégicos frequentados pelos animais.

 

Lobo (Canis lupus)

          Um dos raros predadores ainda subsistentes em Portugal, muito embora a sua população em estado selvagem seja extremamente reduzida.

          Vive em alcateias com uma hierarquia bem definida, nas quais impera um casal que se tornou dominante, na sequência de lutas entre todos os membros da comunidade. Cabe a ele, exclusivamente, assegurar a reprodução, a qual ocorre de Janeiro a Março, e andar de cauda erguida, sinal evidente do seu domínio, uma vez que quanto mais baixo for o estatuto de um lobo no grupo, mais a sua cauda andará colocada entre as patas traseiras. Por seu turno, cada lobo desempenha uma função específica no seio da alcateia.

          A alcateia actualmente residente na Tapada de Mafra (no cercado existente na Tojeira) é, de momento (Maio de 2004), constituída apenas dois ou três elementos.

 

Raposa (Vulpes vulpes)

          Mamífero carnívoro, abundantemente representado na Tapada, em liberdade e em cativeiro, para facilitar a observação, uma vez que se trata de animal essencialmente nocturno, excepto durante o Verão.

 

Saca Rabos (Herpestes ichneumon)

          Mamífero viverrídeo surgido há apenas alguns anos na Tapada de Mafra, em consequência da fuga de vários espécimes de um cercado onde viviam em cativeiro.

          O seu nome deriva da circunstância de, quando em grupo, se deslocar em fila indiana, a fêmea na dianteira, seguida pelas crias que levam o focinho sob a cauda do animal que caminha à sua frente. As crias nascem entre Abril e Maio.

 

Texugo (M. meles)

          Mamífero representado na Tapada.

 

Veado (Cervus elaphus)

          Mamífero herbívoro representado na Tapada de Mafra (uma contagem realizada em 1996 apontou a existência de meia centena de animais).

          Vive em manadas de dois tipos, as constituídas por fêmeas com crias e as dos machos com mais de três anos, as quais se reúnem apenas durante o período da reprodução (Setembro-Outubro). Os machos emitem, então, um grito, a que se dá o nome de Brama, com dupla intenção: atrair as fêmeas e afastar os rivais. Os machos distinguem-se pelas hastes ramificadas e pontiagudas que todos os anos caem durante a Primavera (Março-Abril), iniciando-se, de imediato, o crescimento das novas (inicialmente cobertas por uma pele chamada veludo, que cairá também), cuja complexidade aumenta com a idade do animal.

          Em 1939, foi introduzido na Tapada um lote de veados (7 fêmeas e 4 machos), da espécie Cervus elaphus hispanicus Hilzheimer, adquiridos pelo Depósito de Remonta à Quinta da Torre Bela, propriedade da Casa de Lafões.

          Entretanto, devido à ausência de predadores naturais na Tapada, tem-se recorrido ao abate selectivo como forma de repor o equilibrio da população de veados.