Feiras


 

Feiras da Vila de Mafra

 

Feira da Murgeira, dos Alhos ou de Julho

- Largo das Tílias

Anual (3º Domingo de Julho)

Feira franca concedida por D. Maria aos moradores da Murgeira, conforme a própria soberana afirma na provisão de 26 de Março de 1778, pela qual dava a mesma regalia aos moradores de Vila Franca do Rosário. Não parecem fiáveis, portanto, as opiniões segundo as quais teria tido lugar primitivamente em Mafra e depois fora trasladada para a Murgeira, devido a uma epidemia (O Concelho de Mafra, 2 Jul. 1944) ou "pela circunstância eventual da paliçada que no mesmo lugar se construiu para as obras do depósito militar que ocupa parte do dito Real Edifício" (Acta da sessão da C. M. de Mafra de 29 de Junho de 1864). Nesse exacto dia e ano a Autarquia (com a aprovação da Junta Geral do Reino) deliberou (e ratificou a deliberação em 23 de Agosto do mesmo ano) transferi-la para a sede do Concelho, onde desde então se fixou em definitivo, alegadamente por a Murgeira não reunir condições para uma feira de tão grande afluência. Transaccionavam-se por essa época gado de todas as espécies bem como diversos artigos destinados aos trabalhos do campo. Em 1902 era classificada como "uma das melhores que têm lugar nos arrabaldes da capital" (O Correio de Mafra, 17 Jul.), não obstante as contribuições exorbitantes que recaíam sobre os feirantes, afugentando-os. Gabriel Pereira (1910) considera-a simplesmente mercado de trigo, embora "importante", porquanto servia para "se saber do trigo existente, se havia míngua ou fartura, ver as qualidades e tratar dos preços", sendo concorrida de muita gente, "importantes quadrilhas de carros de bois dos lavradores e muitas récuas de machos dos padeiros de Lisboa" (Pelos subúrbios e vizinhanças de Lisboa, p. 104). Contava com grande variedade de diversões, a saber: teatro, cavalinhos, pim-pam-puns, vistas e figuras de cera, cosmoramas, carrocéis, circo, acrobatas e realejos. Segundo Patrocínio Ribeiro (As duas Mafras, in Ilustração Portuguesa, 1910) as escadas da Basílica assumiam função idêntica à do Muro do Derrete da Feira das Mercês, local onde as raparigas saloias se sentavam na espectativa de serem escolhidas por algum rapaz em busca de romance.

Na actualidade as résteas de alhos são o produto mais procurado, uma vez que as mantas tecidas com trapos e linhos (de Santo Isidoro e Assenta), os açafates de junco (de Almorquim, Sintra), a louça vidrada (do Sobreiro) e os utensílios de vime descascado (da Venda do Pinheiro e Charneca) foram há muito banidos, substituídos por produtos normalizados e comuns a todas as feiras de norte a sul do país.

 

Feira Nova ou de Setembro

- Praça da República e Terreiro de D. João V

Anual (1º Domingo de Setembro)

A primeira notícia disponível acerca desta feira consta de uma curta nota publicada em O Liberal (8 Ago. 1920), segundo a qual ela resultou de uma deliberação da Comissão Executiva da C. M. de Mafra. De facto, a 4 de Agosto de 1920, a autarquia deferiu o pedido de diversos comerciantes da Vila, criando esta feira com a finalidade de transaccionar gado, géneros agrícolas, assim como outras mercadorias. Teve início no dia 5 de Setembro do mesmo ano. Porém, volvidos alguns meses (6 de Julho de 1921), por proposta do vogal Alberto Ferreira Marques, seria transferida para o segundo Domingo do mesmo mês. A Comissão promotora da festa de inauguração requereu (27 de Agosto de 1920) à Câmara autorização para instalar "Quermesse e barracas para argolas, bebidas, palanque e paus de bandeiras". Não foi possível apurar durante quanto tempo se realizou.

 

Feira de Santo André

- Largo das Tílias

Anual (30 de Novembro)

Presume-se que possa remontar ao século XIV ou, quando muito, ao XV, realizando-se então na Vila Velha, no adro da antiga matriz, de cujo orago herdou o nome. Em 1782 já fora transferida para o Largo da Real Obra, conforme relato do arcediago da Catedral de Valência, Dom Francisco Perez Bayer, cuja visita a Mafra coincidiu com os três dias (30 de Novembro, 1 e 2 de Dezembro) que então durava a feira. Confessa que quando chegou, pelas nove da manhã, "estava a praça que há defronte do Mosteiro feita uma Babilónia", anotando a presença de "charlatães, dentistas, jogos de cartas e outras habilidades". Entre os produtos que viu ser transaccionados menciona "panos, lençaria, couros, peles, frutas, pão, vinho, empadas ou pastéis e outros comestíveis". Haveria ainda a juntar a esses, certamente, gado, sementes, frutos secos e castanha, produtos tradicionais nesta feira.

Autorizada por ofício do Ministério do Reino, de 1 de Novembro de 1825, recebeu de D. João VI, por Alvará de 17 do mesmo mês e ano, todas as isenções e privilégios conferidos às mais importantes feiras francas. Na sua edição de 1897 a Rainha D. Maria Pia chamou ao Palácio um dos judeus vendedores com o objectivo de lhe adquirir alguns objectos de madeira e madrepérola.

O princípio da sua decadência foi atribuído (O Concelho de Mafra, 19 Nov. 1944) a uma lei proibindo nas estradas as rodas de rasto estreito, comuns nos carros dos vendedores de cereais e legumes da região.

 

Mercado de Mafra

Largo das Tílias

- Mensal (3º Domingo)

Estabelecido por Alvará de 12 de Dezembro de 1799. Primitivamente tinha lugar todos os 4º Domingos do mês. Deixou de se realizar por falta de concorrentes em data desconhecida, tendo sido restabelecido, a partir de Outubro de 1865, por deliberação da Junta Geral, de 1862, e, novamente, por deliberação autárquica, de 29 de Junho de 1864, aprovada pela Junta Geral na sessão do mesmo ano. Documento de 1892 classifica-o como mercado de gado. Após ter estado suspenso durante várias décadas, foi restaurado em 19 de Junho de 1977, ficando, no entanto, interditada a comercialização de gado. Em Abril de 1989 a Autarquia transferiu-o para a 2ª Feira o que originou enérgicos protestos dos feirantes e o consequente retorno à fórmula primitiva.