Da Nova Roma à Nova ou Celeste Jerusalém


E a cidade é fundada em quadro, e tão comprida como larga: e mediu ele a Cidade com a cana de ouro [...]. E o seu comprimento e a sua altura e a sua largura são iguais.

Apocalipse, XXI, 16

 

Só o justo permanece, Aristóteles o chamou quadrado, pelo afirmar estável. A Cidade de Deus é quadrada porque é eterna.

Frei Jacinto de Deus

 

 

Se, contudo, é suposto Lisboa ser detentora de todos os requisitos mundanos indispensáveis à sua promoção a umbigo (omphalos) do Quinto Império como, de resto, a iconografia coeva das invasões napoleónicas havia de a patentear (126), de que modo  e em que locais se denotam os Mundos Celeste e Infernal ou subterrâneo, cujo contacto íntimo e efectiva e concomitante comunicação com o Terrestre são garantes do estatuto axial que é creditado à urbe?

Para um vislumbre deste domínio inferior e plutónico, autêntico purgatório até pela sua associação a S. Patrício, sobre cuja igreja se situa, cedo a palavra ao olisipógrafo Júlio de Castilho:

[...] a casa dos Miras ficava justamente na ilha confinada entre a Rua do Arco, a da Amargura, o adro da igreja e a Rua de Jerusalém. O quintal dava para a banda do Seminário [de Santa Catarina]; era todo sombrio de parreiras; e no topo havia uma estrebaria onde se abria uma cisterna, boqueirão que parecia sem fundo, e que muito deu que pensar aos antiquários em mais de uma ocasião [...] Chegava-se ao bocal, gritava-se e o eco prolongava as vozes de modo fantástico e medonho, repetindo-se um sem número de vezes e denunciando assim a vastidão da cafurna. Mais: lá no fundo sentia-se um espadanar de águas que nunca puderam ser esgotadas pelas bombas. A fantasia a trabalhar povoava de maravilhas o recinto. Mais ainda: caiu lá dentro uma vez um rapaz. Desceu ao Averno um búsio e voltou horrorizado. Um Padre inquilino do prédio afoitou-se; quis descer também amarrado pela cintura e com um archote na mão; mas o descomunal da abóbada tolheu-o de susto, e ele saiu desfalecido. O prumo dava a perceber escadarias e a imaginação do vulgo tinha aquele reconcavo colossal por templo de gentilismo antigo e até por mesquita de maldições, cuja entrada viesse a ter sido na próxima Calçada de S. Crispim [...] (127).

Já no que concerne ao pólo Celeste, o Convento de Santo António, em Mafra, constitui a sua encarnação. Pois não é este, segundo Anselmo Caetano Munhós de Abreu Gusmão e Castelo Branco, "[...] a Santa e Nova Cidade e Jerusalém que do Céu viu descer o Evangelista S. João, preparada primeiro por Deus e adornada como a Esposa para o seu Esposo" (128)?

Não obstante, e apesar de a nenhum dos expositores e exegetas da Sagrada Escritura ter Deus facultado o conhecimento do dito Templo, o mesmo autor, médico coimbrão, mostra-o ao Mundo:

 

[...] unido ou identificado [e] sobre a Santa Cidade [...], porque ficando o templo superior à mesma Cidade, fica por este modo como separado e por cima da Cidade o Templo ou Santuário que possui um só Príncipe [...]. Este Santuário, ou Novo Templo de Ezequiel, viu este Profeta separado sete léguas da Cidade Marítima, chamada Oriental e Ocidental [...]. Este Principado Secular e juntamente Eclesiástico da Igreja não está em Itália, mas existe separado e fora de Roma estabelecido em uns Mosteiros e Varões Religiosos, consagrados de todo a Deus [...]. Muitos Conventos há hoje fora de Roma, em que está edificada a Igreja de Cristo, que é a Nova e Santa Cidade de Jerusalém descida do Céu à terra [...] mas nenhum Mosteiro de Religiosos se acha na Cristandade que esteja edificado sete léguas fora ou por cima da Cidade marítima, chamada Oriental e Ocidental, fundada sobre tantas águas subterrâneas e tão adornado como a Esposa para o seu Esposo, senão esta nova e única Maravilha do Mundo [...] estabelecida em Portugal, edificada em Cristo, sobreedificada em Mafra e sobre o fundamento que lhe pôs S. Paulo, pelo real e invicto braço do Sábio e Augusto Apolo Lusitano e pelas mãos dos Portugueses para Corte do Quinto Império de Cristo [...] (129).

 

O filósofo hermético não é, porém, o único autor contemporâneo do Magnânimo a conferir um carácter escatológico fundamental ao Monumento de Mafra. Com efeito, diversos outros enunciam considerações de idêntico teor (Quadro 3) (130), de que se destacam o paralelismo quer com o Templo de Salomão quer com o Escorial.

 

Ora, uma vez que o Escorial, consabidamente, foi edificado à imagem do Templo de Salomão, conforme conceptualização do arquitecto real Juan de Herrera, tornar-se-á evidente o motivo da comparação. Acresce ainda uma circunstância relevante: a dedicação da Basílica de Mafra a Santo António, designado popularmente pelo epíteto de Arca do Testamento, i. e., da Aliança (131).

Apesar de tudo, conhecida a fortuna ideológica e iconográfica do Templo de Salomão após a publicação dos três volumes das In Ezechielem Explanationes et Apparatus Urbis,  ac Templi Hierosolymitani Commentariis et Imaginibus Illustratus (Roma, 1596-1604) de João Baptista Villalpando (132), jesuíta e discípulo de Herrera, não pode deixar de causar estranheza a total omissão de referências ao Antigo Testamento no Monumento de Mafra.

A não ser que tal decorra simplesmente do facto de, no que concerne à obra do Magnânimo, o Templo de Salomão remeter, como modelo arquetípico, para a Jerusalém do Apocalipse, morada dos santos em glória.

Nesse caso, estará achado o motivo para a presença no nartex ou galilé dos 12 Apóstolos do Cordeiro (Apocalipse, XXI, 14), autênticos fundamentos da Cidade Santa, instituidores cada um deles, tal como D. João V, de uma Nova Ordem espiritual (os grémios religiosos que fundaram) no seio do próprio cristianismo. Exceptuam-se, claro está, não só pela sua condição de mártires como também pela estatura avantajada que os distingue dos restantes, S. Vicente e S. Sebastião, corporificando as colunas Jakin (Ele estabelece) e Boaz (Por Ele é poderoso) respectivamente, colocadas no Ulam (vestíbulo), ladeando o pórtico pelo qual se acede ao Hekal (santuário) e ao Debir (Santo dos Santos) (133).

Explorando estas e outras vertentes do tema, cujo carácter visionário e misterioso favoreceu um sem número de comentários e glosas, bem como o florescimento de uma tradição iconográfica multifacetada (134), as opções dos exegetas face à ordem prescrita no texto sagrado tornar-se-á manifesta e o Monumento de Mafra revelará os seus arcanos.

Face à complexidade do problema, é impraticável de momento uma abordagem extensiva dele. Noutra ocasião se ensaiará. Bastará, não obstante, atentar em duas das mais célebres facetas enunciadas pelo Evangelista no Apocalipse:

 

 

1. O número 666

 

O famoso número da Besta (número triangular sagrado de 36 e valor secreto de 62), o qual tem sido atribuído a personalidades muito variadas, mas com predomínio para os chefes militares e os estadistas, e a que nem a instituição papal foi poupada (135). Muitos hermeneutas sublinham a necessidade da revisão da sua carga pejorativa, porquanto na Kabbalah hebraica simplesmente manifesta Sorath, o Espírito do Sol. De resto, aos números triplos (como 111, número da Inteligência do Sol, ou 888, número de Jesus) sempre os pitagóricos atribuíram significado solar. Além de que 666 e 888 são duas das ratio subjacentes à formação da escala musical  e ao princípio da harmonia, um dos aspectos do Logos (Criador).

Nessa perspectiva o Monumento de Mafra é uma réplica de Heliopolis, a Cidade do Sol. Com efeito, a planta do Monumento de Mafra configura o quadrado mágico do Sol, obtendo-se o módulo de cada uma das suas 36 casas a partir da dimensão da base do torreão. O referido quadrado comporta os primeiros 36 números dispostos segundo uma grelha de 6 x 6, de molde que o valor linear, na horizontal, vertical ou diagonal, seja 111 e o valor global 666.

O carácter solar do edifício é ainda alvo de outras explícitas referências. Um elemento, porém, patente a todos quantos rumam à Basílica, etimologicamente a Casa do Rei, serve à dissipação das hesitações que possam persistir. Qual esfinge, o Carrocel desenhado no empedrado do patim da esplanada que dá acesso ao templo (136), expressando a iniludível vontade de geometrizar tão característica da época, oferece o seu enigma aos passantes a cujo discernimento e argúcia exige a decifração. De autêntico cosmograma se trata, subtilmente transposto para a Vila de Mafra e, mutatis mutandis, para Portugal inteiro. Dois corpos tangentes, um quadrangular, outro semi-circular, na razão, respectivamente, do espaço e seus quatro horizontes e do tempo, ritmado pelo movimento circular dos astros (implícito nas esferas ou órbitas dos planetas, nos sete degraus que implicam a semana e nos penitentes, que são 24, tantos quantos as horas de um dia), fundem-se para se homogeneizar. No centro, o Astro Rei (módulo da Visão de Ezequiel) envia os seus raios em todas as direcções, evocando a imagem de uma roda e desenhando imensa máquina de que o monarca é, concomitantemente, o motor e o eixo, centro imóvel, regulando a acção. Em torno a si evoluem mais ou menos rapidamente, conforme a proximidade ou afastamento, os grandes e os pequenos, numa espécie de fototropismo face ao Corpo glorioso do Sol monárquico, o qual, à semelhança de um relógio, ordenada e  ceremonialmente os rege, enquanto membros do seu corpo simbólico. No dia mesmo da aclamação de D. João V, Manuel Lopes de Oliveira punha a questão nos seguintes termos: "Dia também dos em que o Sol lá dessas altas esferas começa a voltar para este nosso hemisfério seu rosto e seus benéficos raios. E assim El-Rei nosso Senhor, esplendíssimo Sol Oriente da nossa Lusitânia voltando para estes seus vassalos os raios da sua beneficência, queira aceitar os nossos obsequiosos rendimentos" (137).

 

 

2. A Estrutura Simbólica da Jerusalém Celeste

 

Assunto, como o anterior, muito debatido, cuja formulação tem sido explorada ora com recurso ao di arithmon (provado mediante números) ora ao dia ton grammon (provado com o auxílio de linhas ou construções geométricas) da tratadística greco-latina. A ambas aludirei sucintamente, submetendo-as, em paralelo, ao cânone do Monumento de Mafra.

A importância doutrinal da divisão duodecimal no cristianismo, sublinhada por Lucas (VI, 13-17) e Mateus (X, 2), foi retomada pelo Doutor Seráfico, S. Tomás de Aquino, o qual fará corresponder os 12 Apóstolos às 12 contemplações da Fé ou artigos do Símbolo, às 12 Tribos, às 12 pedras do peitoral do Sumo-Sacerdote, aos 12 Anjos, aos 12 Patriarcas e às 12 Portas da Jerusalém Celeste. A repercussão da numerologia sagrada no Monumento de Mafra não se esgota, tão só, neste valor (presente nos seus doze pórticos, ou nas 12 x 12 [144 = Santa Jerusalém] moedas lançadas pelo esmoler do Magnânimo sobre a pedra fundamental). Outro número recorrente, tradicionalmente associado ao eschaton nacional (138), merece também uma referência. Trata-se do  número 17, sob esta forma ou sob a do seu valor secreto: 153. Convirá recordar, meramente a título de exemplo, que o lançamento da 1º pedra do Monumento de Mafra teve lugar no dia 17 de Novembro de 1717 e a soma dos valores dos nomes dos Apóstolos, fundamentos da Cidade Santa, é 1530 (i. e., 153), segundo Mateus (9 x 170 [= Nova Jerusalém]) e Lucas (10 x 153 [= Os Espirituais]).

Quanto ao cânon cúbico do Monumento de Mafra, as ilustrações anexas falam por si.

 

Um exame atento ao contexto geomorfológico de Mafra e seus arredores pode ainda revelar-se de enorme pertinência para a corroboração dos contornos semânticos do exposto.

Assim: a povoação da Paz, outro dos nomes de Salém ou Jerusalém, é contemporânea da fundação da Real Obra; o antigo padroeiro Santo André (do grego: an, andrós, homem, i.e., Adão),  situa-se entre João Baptista e a Jerusalém Celeste, encarnando a passagem da Aliança do Sinai à de Cristo, encerrando, por conseguinte, o ciclo da profecia na posteridade de Jacob. O seu papel inscreve-se entre dois mundos (este e o vindouro), duas cidades santas (a terrestre e a celeste), duas portas (da Fé e do Conhecimento Perfeito ou Caridade) dois santos (o Baptista e o Evangelista). Juntamente com Pedro, Tiago e João, foi um dos que colocaram a Jesus  a questão primordial quanto à destruição do Templo e ao Fim do Mundo: "Quando hão-de suceder estas coisas ? E que sinal haverá de quando todas elas se começarem a cumprir ?" (Marcos, XIII, 3-5). Na Jerusalém Celeste toda a Natureza Humana dispersa se reúne no Adão Primordial, reparador e divino, símbolo da Vida Eterna, expresso na cruz aspada (X) que identifica Santo André com o Sol de Justiça e a Cidade Solar que desce do Alto (X = 10 = Tétractys = número perfeito por excelência) (139).

Reservei para o final uma tradição que achei registada pela primeira vez em Paulo Freire (140). Refiro-me à Avenida ou Estrada do Sol que se admite haver sido planeada por D. João V para unir em linha recta o seu Monumento ao Atlântico. O Dr. Carlos Galrão aventa (141) a hipótese de se tratar de lenda, talvez desfigurada com o tempo, inspirada num folheto de Tomás de Pinto Brandão: "[...] E é que há-de vir, da Ericeira / direito a Mafra um canal, / por onde os barcos caminhem, / e seja estrada naval [...]" (142). Proponho agora uma explicação diversa. É que traçando uma recta no eixo da Basílica e prolongando-a através da R. Serpa Pinto, para poente, até atingir o litoral, essa linha une a Real Obra à ermida de S. Julião e Santa Basilissa (Carvoeira). Nesse templo, verdadeira antecâmara do de Mafra, porquanto os seus patronos corporizam, conforme as iniciais dos seus nomes atestam, as colunas Jakin e Boaz, acha-se a demonstração definitiva da cubatura do Monumento de Mafra. Com efeito, sob a galilé de S. Julião abriga-se a Pedra do Mistério, na realidade a planificação da Pedra Cúbica, cujos quadrados mágicos já transformados em pentáculos, são o corolário da mestria guemátrica de Manuel Teixeira (143), ilustre cabalista, quiçá frequentador da Biblioteca do Palácio Nacional, onde os investigadores ainda têm à sua disposição tudo quanto necessitam para refazer o percurso filosófico que proponho (144).

 

 

NOTAS

 

(126) É hoje patente que de tanta emulação Lisboa deixou que a soberba tomasse conta dos seus destinos e começasse a tecê-las... Apesar de tudo não quero crer, como os dourovoguenses de há umas décadas, que a última batalha entre os povos, o Armaguedon, há-de ser travada nos campos de Lisboa, com o sangue dos mortos e feridos a "dar pelos peitos dos cavalos". Cf. Arlindo de Sousa, Lisboa na tradição popular, in Novos elementos para o estudo da origem do nome Lisboa, Lisboa, 1968, p. 269, nota 10.

(127) Ver igualmente Panorama, v. 2, n. 50 (14 Abril 1838).

(128) Oraculo Prophetico, prolegomeno da Teratologia, ou Historia Prodigiosa, em que se dá completa notícia de todos os Monstros, composto para confusão de pessoas ignorantes, satisfação de homens sábios, exterminio de profecias falsas e explicação de verdadeiras profecias. Parte Primeira, em que se exterminão as profecias falsas. Consagrada a Marte como quinto entre os Planetas, Lisboa Ocidental, 1733, p. 91.

(129) Idem, p. 92-95.

(130) Manuel J. Gandra, Bibliografia Mafrense III. Impressos até 1800, Mafra, 1994.

(131) António Vieira, Sermão de Santo António pregado na festa que se fez ao Santo na Igreja das Chagas de Lisboa aos 14 de Setembro 1642, in Sermões, v. 7, p. 145.

(132) [PNMafra, 1-54-1-2 / 4]. Do autor existem no mesmo acervo as Explanationes in 22 posteria capita Ezechielis [PNMafra: 1-54-4-15]. Sobre o assunto ver o minucioso estudo de René Taylor, Arquitectura y magia: Consideraciones sobre la Idea de El Escorial, Madrid, 1992.

(133) 1 Reis, V a VII.

(134) A fortuna ininterrupta do Templo de Salomão entrará intacta, senão ainda mais prolifica, no sec. XVIII. No período compreendido entre o primeiro quartel de seiscentos e 1721 é possível contabilizar cerca de duas dezenas de títulos dedicados ao topos, dos quais se destacam: Filipe de Aquino, Discours du tabernacle et du Camp des Israelites recueily de plusieurs ancien Docteurs Hébreux, Paris, 1623 [PNMafra: 2-1-14-16]; Jacob Jehudah Abravanel de Leon, Retrato del Templo de Selomoh, Middelbourg, 1642; Nikolaus Goldmann, Sciographia Templi Hierosolymitani, Lipsia, 1694; Roland Fréart de Chambray, Paralèle de l'architecture antique avec la moderne, Paris, 1650; John Lightfoot, The Temple, especially as it Stood in the Dayes of Our Saviour, Londres, 1650; Louis Cappel, Trisagion, sive Templi Hierosolimitani triplex delineatio, in Brian Walton, Biblia Sacra Polyglota [...] cum Apparatu, Appendicibus, Tabulis, v. I, 1657; Claude Perrault, ilustrações da versão latina da Mishneh Torah de Maimónides, 1678; Juan Caramuel Lobkowitz, Architectura civil recta y obliqua [...] promovida a suma perfeccion en el Templo y Palacio de S. Lorenço cerca del Escorial [...], Vigevano, 1678; L. Christoph Sturm, Die Unentbarliche Regel der Symetrie oder des Ebenmasses, 1718-1720; Bernard Lamy, De Tabernaculo Foederis, de Sancta Civitate Jerusalem et de Templo eius Libri septem, Paris, 1720; J. B. Fischer von Erlach, Entwurff einer historischen Architektur, Viena, 1721. Acerca da produção intelectual e artística com relação ao tema, ver Ugolino Blasio, Thesaurus Antiquitatum Sacrarum complectens selectissima clarissimorum Virorum Opuscula in quibus veterum Hebraeorum mores, leges, instituta, ritus sacri et civiles illustrantur, Veneza, 1744-1769, 34 vols. Quanto ao engenho luso, preparo estudo. Ver, entretanto, Rafael Moreira, Novos dados sobre Francisco de Holanda, in Sintria, I-II (1982-1983), p. 619-692.

(135) Papa = VICARIVS FILII DEI = V (5) + I (1) + C (100) + I (1) + V (5) + I (1) + L (50) + I (1) + I (1) + D (500) + I (1) = 666.

(136) Antecede-o um labirinto marmóreo, estabelecendo a fronteira entre o profano e o sagrado.

(137) Cf. Número Vocal, exemplar católico, Lisboa, 1702, p. 407.

(138) Manuel J. Gandra, Ourique como categoria escatológica da portugalidade, in Via Latina (Inverno 1989-90), p. 9-18 e A Cristofania de Ourique: mito e profecia, Lisboa, 2002.

(139) Manuel J. Gandra, Apocalipse de Esdras: ecos nas letras e na arte portuguesas, Mafra, 1994.

(140) Mafra, in Guia de Portugal, v. 1, Lisboa, 1924, p. 567.

(141) O Concelho de Mafra (27 Mar. 1937).

(142) Descrição de Mafra: Romance, 1725.

(143) O seu apelido cifrado encontra-se gravado em baixo-relevo no cruzeiro das Almas, situado junto à ermida. Surge citado no testamento de João Fernandes da Conceição, ermitão de S. Julião (2 de Dezembro de 1764), falecido no ano de 1766.

(144) Alguma Kabbalah no PNMafra: Petrus Bongus, Mysticae Significationis Numerum Liber [...], Bergoni, 1585 [PNMafra, 1-20-5-2]; César Aevolius, De Divinis Attributiis, quae Sephirot ab Hebraeis Nuncupata, Veneza, 1580 [PNMafra, 2-40-2-29 (2º)]; Pico de la Mirandola, Concordiaeque Comites [...] opera quae extant omnia in unum corpus redacta, Basileia, 1601 [PNMafra: 1-19-8-7/ 8]; Francisco Jorge de Veneza, De Harmonia Totius Mundi Cantica 3, Paris, 1544 [PNMafra: 2-76-11-1]; Pedro Galatino, De Arcanis catholicae veritatis libri 12, s. l., 1603 [PNMafra: 1-49-9-9]; João Reuchlin, De Cabbala, seu de symbolica receptione [PNMafra: 1-49-9-9]; Guilherme Postel, Linguarum 12 Characteribus differentium alphabetum, Paris, 1538 [PNMafra: 2-18-7-2]; João Buxtorf, Lexicon Hebraicum et Chaldaicum complectens omnes voces, Basileia, 1735 [PNMafra: 2-18-1-16 / 17 = 4 exemplares;  outras edições: 1631, PNMafra: 2-18-1-20 / 21; 1655, PNMafra: 2-18-1-22 e 23;  Basileia, 1698, PNMafra: 2-18-4-24 /27 = 2 exemplares]; Jacobo Brocardo, Mystica et prophetica libri geneseos interpretatio, Brenae, 1581 [PNMafra: 2-49-4-7]; António Ricciardi, Commentaria symbolica in quibus explicantur arcana, Veneza, 1591 [PNMafra: 1-54-3-12 / 13]; Knorr von Rosenroth, Kabbala denudata, Salzbach, 1677-1678, 4 vols. (Inclui: Porta dos Céus, de Abraão Cohen Ferreira ou Irira, o Zohar (parcialmente), o Aesch Mezareph, Compendium libri cabalistico-chymici dicti de Lapide Philosophorum, etc.) [PNMafra: 2-49-4-8 / 11]; Jacob Gaffarell, Index Codicum Cabbalisticorum quibus Joannes Picus Mirandulanus comes usus est [...], Hamburgo, 1715 [PNMafra: 2-26-9-9]; Roberto Fludd, Philosophia Moysaica, Gouda, 1638 [PNMafra: 2-49-13-3]; Sebastião Barradas, Commentaria in Concordiam et Historiam Evangelicam, Antuérpia, 1613, 4 vols. [PNMafra: 1-4-9- 10 /13; edição 1622, 2-4-12-4-7] e Itinerarium filiorum Israel ex Egipto in terram de promissionis, Lugduni, 1620 [PNMafra: 1-54-2-14]; Matias Pereira da Silva, Noticia da Arte cabalistica [PNMafra: 2-35-8-18]. Ver ainda Manuel J. Gandra, A Filosofia Hermética em Portugal e no acervo da Biblioteca do Palácio Nacional de Mafra, in Boletim Cultural '93, Câmara Municipal de Mafra, Mafra, 1994, p. 11-74.