Crono-Orgãos


Os Órgãos da Basílica de Mafra

 

Resenha Histórico-Cronológica e Bibliográfica

 

          1717

          Novembro 17 - Na cerimónia do lançamento da primeira pedra do Monumento de Mafra participam um organista e diversos outros músicos.

 

          1729

          Julho 21 - Para Mafra encomenda José Correia de Abreu por carta a Frei Fonseca e Évora a compra "sem dizer para donde são [de] três órgãos portáteis, dois como os que costumam servir nas músicas das igrejas dessa Cúria [Roma] e um, maior alguma coisa que os ordinários [...]", sublinhando a conveniência de que "algum mestre remedeie o defeito de serem os órgãos de lá meio ponto mais baixo do que os de cá [...]" (Ayres de Carvalho, D. João V e a Arte do seu Tempo, v. 2, Mafra, 1960, p. 400).

 

          1730

          Fevereiro - António Teixeira, compositor e examinador de cantochão de todo o Patriarcado desloca-se a Mafra, talvez com o objectivo de preparar a componente musical da cerimónia de sagração [BPÉvora: cod. CIV / I].

          Setembro 13 - Por carta, José Correia de Abreu diz-se ciente de que os três órgãos encomendados seguem num navio saído de Génova a 12 de Agosto (Ayres de Carvalho, idem, p. 411).

          Setembro 21 - Aporta a Lisboa o navio proveniente de Génova transportando os três órgãos adquiridos para a sagração da Basílica de Mafra (Ayres de Carvalho, idem, ibidem).

          Outubro 22 - Nas cerimónias de sagração da Basílica tocam seis órgãos (Memórias do Duque de Cadaval, in Ayres de Carvalho, idem, v. 1, p. 290).

 

          1739

          Valério Martins de Oliveira publica Advertências aos Modernos que aprendem os Officios de Pedreiro e Carpinteiro [...], onde se inclui a primeira referência impressa conhecida ao conjunto dos seis órgãos: "[...] Falo dos Órgãos / Que em seis partes estão; / Tocando-os a um tempo / Não há outra suspensão / [...]".

 

          1744

          Na Relação do Convento de Santo António de Mafra (1730-1744), Guilherme José Carvalho Bandeira assevera: "Tem seis órgãos, dois dentro na capela-mor, cada um de seu lado, e ambos no meio dela. Quatro no cruzeiro, todos da mesma grandeza, e todos de 24 [...]".

 

          1751

          F. Blyth refere a existência de oito órgãos na Basílica (Oração fúnebre nas solenes exéquias [...] celebradas em Londres, p. 25), Don Afonso Texedor apenas os seis conhecidos (Discurso Sagrado, Politico Moral, nas sumptuosas Exequias que a muito nobre, e muy leal cidade de Sevilha).

 

          1760

          Udal ap Rhys (A tour through Spain and Portugal, p. 275) afirma ter observado seis órgãos na Basílica.

          Setembro 15 - O italiano Giuseppe Baretti (1716-1789) diz os seis órgãos da Basílica inacabados e da responsabilidade de Eugene Nicholas Egan, organeiro irlandês ao serviço de D. José I, o qual lhe mostra todos os engenhos e invenções ("uma trompa e um trémulo") que lhe haviam garantido supremacia sobre todos os concorrentes ao cargo (Lettere familiari [...] ai suoi tre fratelli Filippo, Giovanni e Amedeo, Milão, 1761, XXVIII e XXIX). A partir das observações de Baretti, conclui-se que os órgãos têm por base flautados de 24 palmos, não possuindo registos de palheta horizontais.

 

          1761

          Frei José de Santo António, primeiro Organista e Mestre de Música no Real Convento de Mafra publica Acompanhamentos de missas, sequencias, hymnos, e mais cantochaõ, que he uso, e costume acompanharem os Orgaõs da Real Basilica de Nossa Senhora, e Santo António, junto á Villa de Mafra, com os transportes, e armonia, pelo modo mais conveniente, para o Côro da mesma Real Basílica (Lisboa).

          Fevereiro 27 - Frei Anastácio dos Santos, Ministro provincial dos franciscanos, transmite ao Guardião do Convento de Mafra, uma ordem de D. José, pela qual o monarca determina se não introduza nas lamentações da Semana Santa "solfa alguma de novo e que só se cante com órgão flautado o Miserere que compôs Manuel Soares", vulgarmente conhecido pela alcunha do Carne de Vaca (cf. O Concelho de Mafra, 24 Set. 1933).

 

          1770

          O organeiro espanhol Mestre João Fontana, cuja intervenção no Palácio Episcopal de Coimbra e em S. Vicente de Fora está documentada, falece em Mafra.

 

          1792

          Agosto - Iniciam-se os trabalhos de reconstrução dos órgãos da Basílica, tendo sido encarregado da tarefa o organeiro António Xavier Machado, irmão de Joaquim Machado de Castro e administrador dos Reais Órgãos de Mafra.

          Agosto 31 - No Livro da Dispeza feita com o Concerto dos Órgaons do Real Convento de Mafra [até Novembro de 1807] [PNMafra: Ms. 8103], além dos pagamentos aos artesãos (mestres carpinteiros João do Rego e João Almeida e mestre entalhador Raimundo José de Azevedo), figuram avultadas aquisições, designadamente de teclados e muitas centenas de tubos. São ainda contabilizadas quantias relativas às repetidas deslocações a Mafra do entalhador e mestres carpinteiros, bem assim como do arquitecto Fabri.

          Setembro - Este livro hade servir para nelle se copiarem as Contas da dispeza feita com os órgãos do Real Convento de Mafra [até Dezembro de 1807] [PNMafra: Ms. 35768].

 

          1793

          Dezembro - É adquirido um grande lote de madeira exótica para as caixas dos órgãos.

 

          1795

          João de Sousa Carvalho compõe uma Missa [PNMafra: R. Mms. 2.1] para 2 vozes, coro e 4 órgãos.

 

          1796

          Agosto - São adquiridos dois teclados para os órgãos da Basílica.

 

          1797

          Maio - São adquiridos tubos de fachada e 24 jogos de registos para os órgãos da Basílica.

 

          1798

          Maio - Até este mês são adquiridos mais de 2100 tubos não especificados para os órgãos da Basílica.

 

          1799

          Julho - Livro do Ponto dos Ofeciais e mais pessoas ocupadas na Factura das caixas dos órgãos do Convento de Mafra que se estão fazendo nestes Reaes Armazens de Lisboa [até Setembro de 1807] [PNMafra: Inv. 8080]. As caixas dos órgãos são construídas em pau Brasil, e ornadas com aplicações de metal dourado (concebidas por Carlo Amatucci), fundidas no Arsenal do Exército.

 

          1800

          José Joaquim dos Santos compõe Missa de Cantochão Figurado [PNMafra: R. Mms. 12.1] para 2 vozes, coro e 4 órgãos. Marcos António da Fonseca Portugal compõe Matinas de S. Francisco para 4 órgãos.

 

          1804

          Outubro - Quatro das caixas para os órgãos da Basílica chegam a Mafra.

 

          1805

          João José Baldi compõe Benedictus alternado com o Coro em oitavo tom [PNMafra: R. Mms. 1.1] para 2 vozes e 4 órgãos e Matinas da Dedicação da Igreja [PNMafra: R. Mms. 1. 8] para 3 coros e 4 órgãos. António de Pádua Puzzi compõe Responsórios para a festa de S. Pedro de Alcântara [PNMafra: R. Mms. 11.3] para solo, coro e 6 órgãos.

 

          1806

          João José Baldi compõe Vésperas [PNMafra: R. Mms. 1. 17] para 4 vozes e 4 órgãos. Frei Bernardo José da Conceição compõe Matinas de N. Sra da Conceição [PNMafra: R. Mms. 3.3.1] para 3 vozes e 6 órgãos. Marcos António da Fonseca Portugal compõe Missa e Credo [PNMafra: R. Mms. 10.5] para voz e 4 órgãos e Benedictus para 4 órgãos.

          Julho - Mês provável da chegada a Mafra das duas caixas restantes para os órgãos da Basílica.

          Outubro 4 - O órgão do Evangelho da capela do Santíssimo Sacramento, o melhor de todos os do cruzeiro, ostenta numa cartela metálica a inscrição: Sacramento / António Xavier Machado o fez / em 4 d' Outubro de 1806.

          Outubro 20 - João Diogo de Barros Leitão e Carvalhosa entrega a Joaquim José de Azevedo, em virtude de "um Decreto de Particular do Serviço", a soma de 6 contos de réis "para as despesas dos órgãos da Real Basílica de Mafra".

          Outubro 22 - É cantada na Basílica a Missa [PNMafra: R. Mms. 1.5] para quatro coros e quatro órgãos de Baldi. "Coisa estrondosa", anota Eusébio Gomes no seu diário.

 

          1807

          João José Baldi compõe Laudate Pueri [PNMafra: R. Mms. 1.16] para 4 vozes e seis órgãos, Magnificat [PNMafra: R. Mms. 1.2] para quatro vozes e seis órgãos e Salmo 109: Dixit Dominus [PNMafra: R. Mms. 1.11] para quatro vozes e seis órgãos. Frei Bernardo José da Conceição compõe Missa [PNMafra: R. Mms. 3. 2] para 4 órgãos e voz. António Leal Moreira compõe Missa pequena [PNMafra: R. Mms. 9.1] para 4 órgãos, Missa [PNMafra: R. Mms. 9.2] para 4 vozes, coro e 6 órgãos, Credo [PNMafra: R. Mms. 9.3] para 4 vozes e 6 órgãos e Vésperas alternadas de Nossa Senhora [PNMafra: R. Mms. 9.5] para 2 vozes, coro e 4 órgãos. Marcos António da Fonseca Portugal compõe Salmo Laudate Dominum [PNMafra: R.17.1.7.] para 6 órgãos, Magnificat [PNMafra: R. Mms. 10.2] para 4 vozes e 6 órgãos, Missa [PNMafra: R. Mms.10.8] para 4 vozes e 6 órgãos, Credo [PNMafra: R. Mms.10.9] para 4 vozes e 6 órgãos, Mattutini S. Antonio A Tenori e Bassi con cinque organi obligati Da esequirsi [PNMafra: R. Mms. 10.11] para 4 vozes e 6 órgãos, Beatus Vir [PNMafra: R.Mms. 10.15] para 4 vozes e 6 órgãos, Confitebor [PNMafra: R. Mms. 10.17], para 3 vozes, coro e 6 órgãos, Salmo Dixit Dominus [PNMafra: Mms. R 17.1.4] com acompanhamento de 6 órgãos, Laudate Pueri a 6 órgãos, para a véspera do universário de D. João VI, Beati omnes para 5 órgãos, alternados com coro, Miserere para os Responsórios de Quinta-Feira Santa, para 6 órgãos, Matinas de Reis para 5 órgãos, Matinas de S. Pedro para 6 órgãos, Matinas de Quinta-Feira Santa; Si quaeris miracula para 6 órgãos, Sequência: Victime paschali para 6 órgãos, Sequência: Veni Sancte Spiritus, Sequência: Lauda Sion, alternada com coro, Moteto extraído de diversos Salmos para 6 órgãos (13 Abril) e Ladainha para 6 órgãos. António José Soares compõe Hino: Te Deum Laudamus [PNMafra: R. Mms. 14. 5] para 3 vozes, coro e 6 órgãos.

          Janeiro 12 - João Diogo de Barros Leitão e Carvalhosa entrega a Joaquim José de Azevedo a soma de 1 conto de réis "para as despesas dos órgãos da Real Basílica de Mafra".

          Janeiro 18 - No baptizado da Princesa Saloia, Infanta D. Ana de Jesus Maria é cantado o Te Deum para cinco órgãos de Marcos de Portugal, com a duração de 48 minutos (Eusébio Gomes).

          Janeiro 19 - Nova entrega da mesma quantia.

          Janeiro 25 - Na festa de acção de graças pelo parto da Infanta D. Ana de Jesus Maria é cantada a Missa Breve [PNMafra: R. Mms. 1.4] para quatro vozes e seis órgãos de Baldi (Eusébio Gomes).

          Fevereiro 6 e 13 - João Diogo de Barros Leitão e Carvalhosa faz novas entregas da mesma quantia.

          Fevereiro 24 - Depois de se rezarem as Matinas às 4 horas da tarde, rezam-se as Matinas de Santo António de Marcos Portugal, para 5 órgãos, em acção de graças pelas melhoras da rainha.

          Março 11 e 17 - Novas entregas da mesma quantia. Na cartela metálica elíptica sobre o teclado do órgão da Epístola da capela do Santíssimo Sacramento lê-se: S. Pº d' Alcantara / Joaquim Antunes Peres Fontanes / o fez em 26 de Março 1807. Não é crível que o organeiro tenha deixado por concluir a montagem deste órgão, conforme é afirmado por diversos autores (ver 1828).

          Abril 11 e 17 - João Diogo de Barros Leitão e Carvalhosa faz novas entregas da referida quantia.

          Maio 5 e 11 - Novas entregas da mesma quantia.

          Junho 11 e 15 - Mais entregas da mesma quantia. O órgão do Evangelho da capela da Sagrada Família ostenta a inscrição numa cartela metálica de formato elíptico: Conceição / António Xavier Machado o fez / em 13 de Junho de 1807. O órgão da Epístola da mesma capela ostenta numa cartela metálica: S. Barbara / Joaquim António Peres Fontana / o fez em 13 de Junho d' 1807.

          Julho 8 e 16 - João Diogo de Barros Leitão e Carvalhosa faz novas entregas da referida quantia.

          Outubro 4 - A reconstrução dos dois órgãos da capela-mor, segundo o sistema Lichtenthal modificado, a cargo do organeiro António Xavier Machado, é dada por concluída (Eusébio Gomes). São de 4 oitavas e meia com 16 registos. O da Epístola ostenta a inscrição: Epistola / Joaquim António Peres Fontanes / o fes em 4 d' Outubro d' 1807 e um medalhão em metal cinzelado, atribuído a Carlo Amatucci, representando D. João VI olhando para a Virgem do retábulo do altar-mor. No órgão do Evangelho, numa lâmina metálica: Evangelho / António Xavier Machado o fez / em 4 de Outubro de 1807. Termina superiormente num painel de bronze com vários emblemas de Santo António.

          Dezembro - As despesas com os órgãos da Basílica atingem quase 30 mil reis, quantia que não inclui os ornatos de Carlo Amatucci.

 

          1809

          Agosto 11 - Lord Byron  escreve à mãe, confessando: "os seis órgãos são os mais belos que tenho visto, quanto às decorações. Não os ouvi tocar mas disseram-me que as vozes correspondiam ao esplendor da forma" (Alberto Teles, Lord Byron em Portugal, Lisboa, 1879, p. 113).

 

          1812

          Marcos António da Fonseca Portugal compõe Sequentia de Pentecostes com acompanhamento de fagotes, violoncelos, contrabaixos timbales e órgão arranjada de outra com seis órgãos e feita para a Real Basílica (Exposição de Arte Sacra Ornamental, Catálogo da Sala de Sua Magestade El-Rei, Lisboa, 1895), Missa [PNMafra: R. Mms.10.6], para 4 vozes e 4 órgãos. Frei Bernardo José da Conceição compõe Responsórios do Natal [PNMafra: R. Mms. 3.4] para 3 vozes, coro e 4 órgãos. Frei José de Santa Rita Marques e Silva compõe Responsório 4º das Matinas do Natal [PNMafra: R. Mms. 13.4], para 2 vozes, coro e 4 órgãos; Hino: Te Deum Laudumus [PNMafra: R. Mms. 13.12], para 3 vozes, coro e 4 órgãos. António José Soares compõe Matinas de Natal [PNMafra: R. Mms. 14.2] para voz, coro e 4 órgãos. Frei João da Soledade compõe Responsório 3º das Matinas de Natal [PNMafra: R. Mms. 15.7] para 4 vozes e 2 órgãos.

 

          1813

          Frei Bernardo José da Conceição compõe Responsórios de Quinta Feira Santa [PNMafra: R. Mms. 3.5], para 2 vozes, coro e órgão; Officio de Defuntos [PNMafra: R.Mms. 3.6], para 2 vozes, coro e 2 órgãos. Frei José de Santa Rita Marques e Silva compõe Responsórios para o Domingo de Páscoa [PNMafra: R. Mms. 13.3], para 3 vozes, coro e 2 órgãos, Salmo 113: In exitu Israel de Egypto [PNMafra: R. Mms. 13.8], para 2 vozes, coro e 2 órgãos, Salmo 50: Miserere Mei Deus [PNMafra: R. Mms. 13.10], para 4 vozes, coro e 2 órgãos. António José Soares compõe Matinas de Defuntos [PNMafra: R. Mms. 14.1] para voz, coro e 2 órgãos. Marcos António da Fonseca Portugal compõe Salmo: Memento Domini David [PNMafra: R. 17.1.8.].

 

          1814

          Frei José de Santa Rita Marques e Silva compõe Moteto [PNMafra: R. Mms. 13.2] para 2 vozes, coro e 3 órgãos. António José Soares compõe Te Deum [PNMafra: R. Mms. 14.6] para 4 vozes e 2 órgãos.

 

          1815

          Frei José de Santa Rita Marques e Silva compõe Salmo: Domine probasti me [PNMafra: R. Mms. 13.7] para 4 vozes e 2 órgãos. Frei João da Soledade compõe Ad Vesperas: Psalmus: Inconvertendo [PNMafra: R. Mms. 15.10] para 3 vozes, coro e 2 órgãos.

 

          1817

          Frei José de Santa Rita Marques e Silva compõe Salmo: Confitebor tibi [...] [PNMafra: R. Mms. 13.6] para 3 vozes, coro e 2 órgãos. Frei João da Soledade compõe Salmo: De profundis [PNMafra: R. Mms. 15.9] para 3 vozes, coro e 2 órgãos.

 

          1818

          Georges Landmann, oficial de Engenharia no exército inglês, dá notícia dos 6 órgãos da Basílica nas Historical, Military and Picturesque Observations in Portugal (Londres).

          Missa de Canto Figurado [PNMafra: R. Mms. 11.2] de António de Pádua Puzzi para 2 coros e 4 órgãos.

 

          1819

          João José Baldi compõe Lauda Jerusalem [PNMafra: R. Mms. 1.13] para quatro vozes e seis órgãos. Marcos António da Fonseca Portugal compõe Beatus Vir [PNMafra: R.Mms. 10.16] para 4 vozes e 6 órgãos, Salmo 109: Dixit Dominus [PNMafra R. Mms. 10.19] para 4 vozes e 6 órgãos e Laudate Dominum [PNMafra: R. Mms. 10.21] para solo e 6 órgãos.

          No seu Quarto Memorial, João Bernardo da Rocha Loureiro acusa o Príncipe Regente de, em vez de atender à possibilidade de uma invasão francesa, se divertir "com fazer tocar os grandes órgãos de Mafra" (Memoriais a D. João VI, Paris, 1973, p. 180).

          José Joaquim da Silva, natural da vila da Atalaia e organista da Real Basílica de Mafra, falece [AHM]. Por uns Autos Cíveis de Justificação [AHM], de 1835, fica-se a saber que havia sido agraciado por D. João VI com 325 réis diários pelo exercício dessa actividade.

 

          1820

          João José Baldi compõe Domini probasti me [PNMafra: R. Mms. 1.12] para 4 vozes e 6 órgãos.

 

          1821

          Frei João da Soledade compõe Hinos da Dedicação da Igreja [PNMafra: R. Mms. 15.2] para tenores e baixos e 4 órgãos.

 

          1822

          Frei João da Soledade compõe Hinos da Festa de Santo António [PNMafra: R. Mms. 15. 3] para 4 vozes e 4 órgãos e Psalmus: Laetatus sum in his [PNMafra: R. Mms. 15.11], para 4 vozes e 4 órgãos (adaptado de Marcos Portugal).

          Maio 22 - Foge o organista da Basílica, Frei Filipe (Eusébio Gomes).

          Junho 11 - Frei Filipe regressa ao Convento (idem).

 

          1824

          Frei João da Soledade compõe Te Deum [PNMafra: R. Mms. 15.13] para 3 vozes, coro e 4 órgãos.

 

          1825

          António José Soares compõe Dixit Dominus [PNMafra: R. Mms. 14.3] para 4 vozes, coro e 5 órgãos.

          Outubro 22 - O organista Frei José participa nas cerimónias comemorativas da sagração da Basílica, sendo despachado com 240 mil réis diários (Eusébio Gomes).

 

          1828

          William Morgan Kinsey publica oPortugal Illustrated (Londres), onde, a propósito dos 6 órgãos, afirma: "[...] são extremamente belos e as suas vozes correspondem à riqueza dos seus ornatos exteriores" (Carta XVI, de 1827). Frei João de Santa Ana informa que "[...] os órgãos tocam conforme as solenidades. Nos dias duplex e semiduplex toca só um, nas segundas classes dois; nos dias de 2ª ordem quatro e nos de 1ª ordem tocam os seis." (Real Edificio Mafrense visto por fora e por dentro, fl. 268).

 

          1834

          O Auto Inventário do Mosteiro de Mafra regista: "Há na Igreja seis órgãos um dos quais está apeado, e um realejo na tribuna da Casa do Capítulo" (O Carrilhão, 1 Nov. 1983).

 

          1835

          Um viajante inglês, James Edward Alexander, regista com agrado a consonância do canto-chão dos frades com o acompanhamento de órgão que teve oportunidade de escutar na Basílica (Sketches in Portugal, Londres, p. 237).

 

          1840

          Agosto 11 - A comissão encarregada da conservação do Templo (Basílica) de Mafra e decência do culto inclui na sua proposta de orçamento para 1841-1842 a verba de 120$000 réis, "para conserto dos dois órgãos da capela-mor que se acham muito arruinados" [AHM].

 

          1842

          Do registo das despesas da supracitada comissão consta a verba orçamentada em 1840 "para conserto de dois órgãos que se acham muito arruinados" [AHM].

 

          1846

          No seu Portugal Pitoresco (Paris, v. 4) Ferdinand Denis, que não se deslocou pessoalmente a Mafra, faz referência a "dois órgãos magníficos, guarnecidos de bronzes dourados".

 

          1854

          Lady Emmeline Stuart Wortley observa que "a igreja [Basílica de Mafra] possui seis órgãos muito decorados" (A Visit to Portugal and Madeira, Londres, p. 124).

 

          1870

          Abril 18 - Quase no fim da missa conventual cai o tubo maior (medindo mais de 4,5 m de comprimento) do órgão do Sacramento sem, no entanto, provocar vítimas. Encontram-se em funcionamento apenas dois dos órgãos: os do Evangelho e da Epístola da capela-mor (Diário de Notícias, 23 Abril).

 

          1874

          Katherine Charlote, Lady Jackson, publica Fair Lusitania (Londres), obra na qual menciona os seis órgãos que viu na Basílica.

 

          1876

          Joaquim da Conceição Gomes publica Noticias acerca dos órgãos da Real Basílica de Mafra (Bol. da Real Associação dos Arquitectos Civis e Archeologos Portugueses, s. 2, n. 10-11, p. 157-158 e 174-175).

 

          1885

          Estevão António Jorge restaura o órgão da Conceição (O Mafrense, 10 Fevereiro 1889), trabalho que importa em 300 mil réis (O Mafrense, 7 Outubro 1888).

 

          1889

          É organista Estevão António Jorge. São desarmados os órgãos do Santíssimo (considerado o melhor de todos os seis) e de Santa Bárbara, "a fim de serem reparados [renovação de toda a madeira e metal], afinados e postos em estado de tocar" (O Mafrense, 10 Fevereiro). O Mafrense (23 Junho) dá notícia da conclusão do restauro do órgão de Santa Bárbara por António Bernardo da Silva e afinação por Estevão António Jorge Júnior dos de Santa Bárbara, Conceição e Sacramento. O restauro do 5º órgão (do Sacramento) encontra-se em vias de conclusão. O da Conceição, que deixara de tocar desde a extinção das Ordens (tal como o dos Santos Mártires), é à data o melhor conservado e afinado de todos.

 

          1890

          Dezembro 1 - António Bernardo da Silva prossegue a tarefa de renovação de toda a madeira e metal dos seis órgãos (O Mafrense).

 

          1906

          Júlio Ivo publica O Monumento de Mafra: guia ilustrado. O melhor de todos quantos foram editados até à actualidade. Descreve os órgãos da Basílica minuciosamente (p. 54-58).

 

          1909

          Agosto 25 - Ao meio dia, vindo de Sintra, chega D. Manuel, acompanhado por Marquês do Faial, coronel António Costa e capitão de fragata Moreira e Sá. De tarde, D. Manuel assiste a exercícios na Tapada, indo seguidamente tocar órgão na Basílica, acompanhado pelo Conde de Mafra, Tomás de Melo Breyner, e seus três filhos.

 

          1910

          Fevereiro 5 - Após caçada na Tapada, cerca das 17 horas, D. Manuel toca órgão.

          Fevereiro 9 - D. Manuel toca órgão depois do almoço.

          Agosto 22 - Ao fim da tarde, chega a Mafra D. Manuel, acompanhado por Conde de Mafra, Marquês do Alvito e Visconde de Asseca. Depois do jantar, assiste a um concerto na Escola Prática de Infantaria, e pela uma da manhã, antes de se recolher, toca no órgão do Evangelho, trazendo-lhe as partituras o criado Escobar Franco.

          Agosto 23 - A meio da tarde, o Rei toca órgão na Basílica, na companhia dos alferes Costa Pereira e Pamplona e do cadete Henrique Mendonça, que toca bem violoncelo.

          Setembro 8 - Ao fim da tarde, na companhia do Conde de Sabugosa, Conde de Mafra, João Caldeira, major Alvim, marquês do Lavradio e Dr. Artur Ravara, chega a Mafra D. Manuel, que se dirige à Basílica para tocar órgão até à hora de jantar.

          Setembro 10 - Depois do jantar, D. Manuel toca órgão na Igreja, acompanhado do Conde de Mafra, que toca rabeca. Tocam, entre outras peças, O Largo de Haendel, Ave Maria de Gounod e a Reverie de Schumann.

          Setembro 13 - Pelas 10 horas da manhã, D. Manuel dirige-se à Basílica e toca órgão durante cerca de sessenta minutos.

 

          1920

          João Pereira da Cunha e Costa Júnior é organista da Basílica (Anuário de Portugal).

 

          1929

          Joaquim Casimiro Júnior compõe Septenário de Nossa Senhora das Dores [AHM] para 2 vozes e órgão.

 

          1933

          O Dr. Carlos Galrão transcreve documento exposto numa sala de reservados da Livraria do Palácio Nacional, sobre actividades musicais conventuais no século XVIII (Illo Tempore ..., in O Concelho de Mafra, 24 Setembro).

 

          1938

          J. M. Cordeiro de Sousa publica Os Órgãos de Mafra (in Notícias do Passado, p. 127-128).

 

          1951

          O Padre Manuel Valença publica O último mestre da capela do Convento de Mafra, Frei João da Soledade (Colectânea de Estudos).

 

          1962

          E. Power Biggs grava Disco Musiques d Orgue d' Espagne et du Portugal (Philipps, 30/33). Jean-Paul Sarrautte publica Marcos de Portugal. Ensaio por ocasião do bicentenário do seu nascimento (Lisboa).

 

          1965

          Rudolf Reuter publica Die Grundlagen des Orgelbaus auf der Iberischen Halbinsel (Esslingen, p. 16).

 

          1970

          Jean-Paul Sarrautte publica Les Oeuvres de Marcos Portugal à la Basilique de Mafra (Arquivos do Centro Cultural Português em Paris, v. 2, p. 486-499).

 

          1972

          Carlos de Azevedo publica Baroque Organ-Cases of Portugal (Amesterdão, p. 11 e 21)

 

          1974

          L. A. Esteves Pereira publica A organaria portuguesa no século XVIII (in Bracara Augusta, Actas do Congresso A Arte em Portugal séc XVIII, t. 3, v. 28, n. 65-66 (77-78), p. 492-504), comunicação que apresentara ao Congresso de Homenagem a André Soares, A Arte em Portugal no século XVIII(Braga, 6 a 11 Abril 1973).

 

          1978

          Wesley David Jordan publica The Six Organs of Mafra Basilica (The Victorian Organ Journal, v. 6/4, p. 5-8 e v. 6/5, p. 3-6).

 

          1979

          Jean-Paul Sarrautte publica Marcos Portugal: ensaios (Lisboa), onde reúne diversos trabalhos anteriormente impressos. Wesley David Jordan apresenta a dissertação de doutoramento sobre Órgãos Portugueses: a documentation and historical and technical study of selected Portuguese organs (New England / Australia, p. 538-551).

 

          1985

          João M. B. de Azevedo publica Biblioteca do Palácio Nacional de Mafra: Catálogo dos fundos musicais (Lisboa). Início do restauro do órgão da Epístola pelo organeiro António Simões, com o patrocínio da F. C. Gulbenkian.

          Junho - A F. C. Gulbenkian anuncia que vai subsidiar integralmente o restauro dos dois órgão da capela-mor da Basílica.

          Novembro 10 - Concerto comemorativo do Tricentenário do Nascimento de Domenico Scarlatti por Joaquim Simões da Hora.

          Dezembro 7 - Concerto de António Duarte / Nelson Rocha (trompete), no âmbito do Ano Europeu da Música.

 

          1986

          Setembro 16 a 30 - Setembro Musical em Mafra. Recital por Joaquim Simões da Hora (dia 30).

          Novembro 6 e 9 - Concertos por José Luís Uriol (dia 6) e Gerhard Doderer (dia 9), no âmbito das Primeiras Jornadas Internacionais de Órgão.

 

          1987

          Gerhard Doderer publica Subsídios para a história dos órgãos do Palácio de Mafra (Bol. da Associação Portuguesa de Educação Musical, n. 52, Janeiro-Março: Actas do IV Encontro Nacional de Musicologia).

          Setembro 5 a 25 - Setembro Musical em Mafra. Recital por Georges Athanasiadès (dia 12).

 

          1988

          Junho 4 - Concerto por António Guimarães Duarte.

          Setembro 14 a 29 - Setembro Musical em Mafra. Concerto por Dorthy de Rooij (dia 25).

          Outubro 21 e 22 - Dois concertos memoráveis por Patrick Newson.

 

          1990

          CD Historical Organ of Portugal, gravado por Dorthy de Rooij.

          Outubro - Patrocinado pela F. C. Gulbenkian, é concluído pelo organeiro António Simões o restauro do órgão da Epístola, sendo colocados manípulos junto ao teclado, os quais possibilitam comandar todos os registos a partir da consola.

          Outubro 22 - Joaquim Simões da Hora dá o concerto inaugural do Orgão da Epístola depois de restaurado, no âmbito do 260º Aniversário da sagração da Basílica e Convento de Mafra.

 

          1991

          Março 15 - Concerto por Elsa Bolzonello Zoja.

 

          1992

          Abril 29 - Recital do Coro dos Pequenos Cantores de Copenhaga acompanhados por Bo Gronbech no órgão. João Vaz e Rui Paiva gravam no órgão da Epístola algumas das peças incluídas no CD-1 que acompanha osPortugaliae Monumenta Organica: Órgãos de Portugal (Academia de Música D. João IV).

 

          1994

          O organeiro açoriano Dinarte Machado faz uma peritagem aos órgãos da Basílica, de molde a diagnosticar o seu estado de conservação.

          Junho 13 - Concerto do 2º Ciclo de Órgão.

          Junho 24 - Concerto por Joseph Sluys, integrado num Ciclo de órgão patrocinado por Lisboa 94, Capital Europeia da Cultura e Caixa Geral de Depósitos.

          Junho 27 - Concerto do 2º Ciclo de Órgão.

          Julho 8 - Concerto por Joaquim Simões da Hora, no âmbito do supramencionado Ciclo de órgão patrocinado por Lisboa 94, Capital Europeia da Cultura e Caixa Geral de Depósitos.

          Julho 11 - Concerto do 2º Ciclo de Órgão.

          Julho 18 - Concerto por Bernard Brauchli.

          Agosto 5 - Concerto por Rui Paiva, ainda integrado no Ciclo de órgão patrocinado por Lisboa 94, Capital Europeia da Cultura e Caixa Geral de Depósitos.

          Dezembro 1 - Manuel J. Gandra publicaOrganaria Mafrense, primeiro volume de uma série intituladaGuias de Mafra.

          Dezembro 1 a 4 - Encontro Internacional de Órgão, organizado pelo IPPAR, com a participação de especialistas nacionais e estrangeiros. No dia 3 apresentam comunicações sobre os Órgãos da Basílica: Gerhard Grenzing (Os seis órgãos de Mafra e possíveis critérios de restauro), Mestre Dinarte Machado (Os seis órgãos de Mafra: seu levantamento técnico) e Manuel J. Gandra (Organaria Mafrense).

          Dezembro 2 - Concerto por José L. González e Rui Paiva.

 

          1995

          Novembro 19 - Concerto de Rui Paiva, no âmbito do 3º Ciclo de Órgão, patrocinado pela Fundação Calouste Gulbenkian.

          Novembro 26 - Concerto de António Duarte, integrado no mesmo ciclo.

          Dezembro 3 - Concerto por João Vaz, integrado no mesmo ciclo.

 

          1996

          Agosto 18 - Concerto por Antoine Sibertin-Blanc, no âmbito do 4º Ciclo de Órgão, patrocinado pela Fundação Calouste Gulbenkian.

          Agosto 25 - Concerto de João Vaz, integrado no mesmo ciclo.

          Setembro 1 - Concerto por Rui Paiva, integrado no mesmo ciclo.

 

          1997

          Julho 27 - Concerto por Antoine Sibertin-Blanc, no âmbito do 5º Ciclo de Órgão.

          Agosto 3 - Concerto por João Vaz, integrado no mesmo ciclo.

          Agosto 10 - Concerto de António Duarte, integrado no mesmo ciclo.

          Outubro 26 - Recital de órgão por David Cramer, no âmbito do I Festival Internacional de Música de Mafra.