Cozinhas e Pastelaria


Cozinha da Enfermaria Velha

 

Dependência conventual onde "têm entrado as pessoas reais e muitos príncipes, estrangeiros e muitos cavaleiros, sem que nela achassem algum tédio ou fastio".

É descrita no Real Edifício Mafrense: "Tem esta casa de comprido 42 palmos e meio, de largo 30 (área = 229,50 m²) e de alto 19, cuja altura têm também todas as outras casas do 2º andar. No fim da casa ao lado esquerdo tem uma janela para o pátio R e junto a ela está uma formosa chaminé que tem 7 palmos de fundo e 19 de comprido, feita toda de cantaria com molduras, relevos e outro muito lavor que sobe até ao tecto da casa e nos lados tem pequenas colunas unidas umas às outras com os seus competentes pedestais, capitéis, etc., o que a faz muito elegante e majestosa.

O n. 183 designa outra cozinha para a qual se entra pelo grande portal que está no meio do corredor. Tem duas janelas para o pátio R e por entre elas o vão da chaminé que no andar térreo está no armazém do azeite. Tem uma grande pia de pedra e no meio da parede do lado poente está uma chaminé do mesmo tamanho e feitio que a da casa precedente. Tem de comprido 48 palmos e meio e de largo 30. Serve actualmente de Cozinha da Enfermaria porque os padres se curam nas celas do dormitório nº 130." (Frei João de Santa Ana, fl. 357).

 

 

Cozinha Grande

 

Dependência conventual descrita no Real Edifício Mafrense: "[...] Tem o portal da cozinha 17 palmos menos 1/4 de alto, e de largo nove e meio e 1/8. [...] estende-se de Norte a Sul, e tem de comprido 94 palmos, de largo 47, e de alto 39.

Todas as paredes são cobertas de azulejo branco.

Na parede do lado do Nascente tem grandes janelas, uma sobre outras em duas linhas, e todas deitam para o pátio n.º 167.

Tem mais uma no interior da chaminé do Norte, que deita para o saguão, que lhe fica por detrás.

Na parede das janelas há dois pilastrões sacados fora da parede dois palmos e meio, e defronte deles na parede oposta há outros dois, que lhes correspondem, e sobre eles estão firmados arcos de pedra na abóbada, que atravessam toda a casa. Entre os dois pilastrões, e o portal da entrada está de cada parte encostado à parede, e firmado sobre cachorros de pedra, um assento da mesma, mas coberto de pau, que tem de comprido 15 palmos e meio. Entre o pilastrão e o canto da casa da parte do Sul, há uma mesa de pedra, que tem de comprido quinze palmos e meio, e de largo dois e meio, firmada sobre pilares de pedra, e entre estes estão duas pias, ou tanques de pedra, que se elevam até à superfície superior, onde tem a entrada coberta com tampos de pau, e fechados à chave, porque neles se guarda o azeite, que se gasta na cozinha.

No lado do Norte entre o outro pilastrão e o canto da parede está outra mesa igual mas não tem tanques. Estas mesas têm de alto quatro palmos menos 1/4. Na parede oposta defronte da mesa das pias está outra mesa igual, mas sem pias; e entre o outro pilastrão e o canto do Norte, não há mesa de pedra, porque nesse espaço, e quase encostado à parede, está uma prensa de pau do Brasil, ou engenho de espremer as ervas, o qual é uma grande pia de pedra, e quadrada, com fuso de roscas no meio, e um peso de grosso pau, que com uma manivela se levanta, ou abaixa quando é preciso, e assim aperta mais, ou menos as ervas, que estão na pia, onde o peso vem encaixar.[...] Junto à parede das janelas, e defronte da porta principal da Cozinha, está um tanque de uma só pedra branca, que tem de comprido 14 palmos; de largo 5 e meio, e de alto 4 e 1/4, para o qual corre água por uma torneira de bronze, que está na parede, e por cima dela está uma grande cruz, que, segundo dizem, é o molde da que está colocada sobre o zimbório. A um lado dele estão outros dois tanques de pedra unidos um ao outro, mas divididos no meio com cantaria, e ambos têm de comprido 14 palmos, e cada um tem uma torneira de bronze por onde corre água, e o mesmo acontece a dois alguidares, que estão ao outro lado colocados em uma mesa de pedra, os quais, e uma pia que lhes está unida, ocupam o mesmo espaço de 14 palmos. Os alguidares são também de pedra, e servem para neles se lavar a louça. Os tanques do outro lado servem para pôr de molho o peixe, lavar a salada, etc. O tanque grande sempre está cheio de água para os gastos da cozinha; e junto a este está um estrado de pedra mais elevado. Todo o pavimento da casa é de pedra, e com algum declive para o meio da casa, onde está um sumidouro da água, quando se lava a cozinha, ou o cobre.

Em cada um dos quatro pilastrões está pendente uma toalha, para limparem as mãos; e junto ao que está ao lado esquerdo do portal da entrada principal, está um grande pilar de pedra, e sobre ele um grande almofariz, de bronze para se pisar pimenta, canela, etc.

No topo da casa da parte do Sul está uma chaminé que tem de largo 19 palmos, e de fundo até à superfície do frontal dela tem outros 19. Os ângulos do frontal estão firmados sobre duas colunas de ferro grossas, e redondas, com bases quadradas, e com capitéis de muito lavor. De uma para outra, e de ambas para o fundo da chaminé, passam grossas vigas de ferro, sobre que estão [sic] firmado o frontal, que é muito sacado fora, e os lados dele. Tem as colunas nove palmos e meio de alto, e esta mesma altura tem de vão o frontal, e os lados para se entrar para dentro da chaminé subindo-se um degrau para os fogões, e o mais que está dentro da chaminé. Todo o vão dela, que se eleva muito acima de todo o Edifício, tem no interior muitas e grossas vigas de ferro, que a cruzam, e sobre o saguão, em que ela está formada, há um grande arco, que também a segura muito. Há nele grandes fogões de ferro; e na parede interior está uma torneira de bronze, na qual se prende um cano de folha de Flandres, para por ele correr água dentro dos caldeirões, e principalmente em um grande [em cobre], em que se conserva água quente [10 almudes]. Por dentro do frontal está um grande candeeiro de duas luzes para iluminar de noite todo o fundo da chaminé.

Em um ângulo da parede dele está um grande engenho de aço com manivela para se levantar com facilidade qualquer caldeirão por maior que seja; para cujo fim no grande braço dele, que se estende até aos fogões, se põem uma grossa balança, cujos ganchos vão segurar as asas ou argolas das marmitas, e caldeirões, e depois, dando-se à manivela, se levantam sem se sentir o peso, e se empurra encaminhando o caldeirão para onde é preciso, que ele vá; e dando-se outra vez à manivela para desandar, se baixa o caldeirão, e coloca na carreta, ou em outra qualquer parte. Ao lado da chaminé está outra menos sacada fora da parede, dentro da qual está um grande forno, cujo interior está formado dentro do saguão próximo, e ali coberto de cantaria. Esta chaminé comunica interiormente com a grande, e a esta vai ter o fumo, que sai do forno.

No topo do Norte estão outras duas chaminés, e um forno, perfeitamente semelhantes, e defronte dos outros; e só difere a grande em não ter engenho de tirar os caldeirões, nem torneira, que lhes leve água. No meio da casa, doze palmos e meio em distância das paredes, estão quatro mesas de pedra branca, cada uma das quais é de uma só pedra, que tem de comprido 15 palmos e 1/4 de largo 6 de alto 3/4. Estão a par umas das outras em duas linhas havendo de permeio 10 palmos de vão entre as duas do lado do Norte, e as duas do Sul, quando se passa ao través na cozinha, caminhando da porta para o tanque, e outros 80 ao longo da cozinha. Todas estas mesas têm por baixo armários entre os pilares, sobre que elas estão firmadas.

Em todo o comprimento da casa estão pendentes em linha recta três lampiões de quatro luzes cada um, os quais são do mesmo feitio, e tamanho que os do refeitório. Ao lado da chaminé do Sul está um portal para a casa, que tem portal para a Pateiria, para o dormitório, e para a escada do Noviciado, como já fica dito.

Ao lado da chaminé do Norte está outro portal, por onde se passa desta cozinha para a cozinha velha, e outras casas contíguas, pelas quais há comunicação da cozinha com o lavatório das ervas, pastelaria, e portaria do carro. É de pedra o pavimento da cozinha, e de todas as mais casas, e corredores, que há entre o corredor da portaria do Norte, o dormitório próximo à cozinha, e o refeitório" (Frei João de Santa Ana, fl. 167-169).

 

 

Cozinha dos Hóspedes

 

Ver Cozinha pequena.

 

 

Cozinha Pequena

 

Dependência conventual, também conhecida como a Cozinha dos Hóspedes.

Situada junto à cozinha grande. Servia apenas quando o rei jantava no Convento, em dia de S. Francisco, com as mais pessoas reais ou quando os religiosos hospedavam algum leigo.

Tem duas chaminés, uma fonte de água e uma grande pedra no meio para se prepararem os géneros.



Cozinha Velha

 

Dependência conventual descrita por Frei João de Santa Ana: "A Cozinha velha, assim chamada por ser a primeira que se fez, e a que serviu enquanto não se concluiu a grande, tem seis portais, por onde se entra nela, porém como o que ordinariamente serve é o que está na parede da casa n. 165 por ele principiarei a designação.

Tem a casa, que se estende de Poente a Nascente, de comprido 56 palmos; de largo 30 e de alto 39. Tem na parede do lado do Sul, além do dito portal mais frequentado, outro para o lavatório das ervas, e mais adiante outro para a casa n. 157 a qual contígua à da Portaria, corresponde à dos trovões.

Nos cantos da parede do Nascente estão outros dois, um para a casa do Ajudante do Fiel dos armazéns, e outro para o corredor do pórtico da portaria, [...].

Em um dos cantos da parede do lado do Poente está outro para o corredor das inscrições. Entre os dois portais do Nascente, e encostada à parede do Poente, está outra igual, mas sem forno. Nesta há um grande engenho de ferro para se assar carne. Tem cada uma delas 14 palmos de largo, e de fundo onze menos 1/4. Nos ângulos dos frontais delas há colunas de ferro, e grossas vigas do mesmo, que passam de uma para outra coluna, e destas para os lados, e sobre elas está firmado o frontal de cada uma das chaminés, que são muito sacadas fora da parede. Ao lado da chaminé do Poente está outra mais pequena, e estreita, a qual lança o fumo para dentro da grande. Ao outro lado desta está [...], o portal (agora tapado) por onde se entra para o corredor das inscrições, e é por ele, que se conduzia o comer para o refeitório, quando nesta cozinha se fazia o comer para a comunidade, porque no fim do dito corredor há um portal no ladrilho, e próximo à Ministra.

No meio da casa está uma mesa de uma só pedra branca, que tem de comprido 15 palmos menos 1/8 e de largo seis menos 1/8. Na parede do Norte estão seis janelas em duas linhas, umas sobre as outras, as quais ficam na frente. No vão da janela inferior, que está no meio, há uma pia de pedra, que tem oito palmos de comprido, quatro de largo, e quatro de alto, e ao lado dela na mesma grossura da parede, está uma torneira de bronze, que lhe deita água dentro. A que cresce daqui vai correr por outra torneira na pia, que no pátio está mais próxima aos cancelos de ferro da portaria. Encostados à mesma parede estão fogões com muitas fornalhas. Tem roldana na abóbada para suspender nela candeeiro" (Real Edifício Mafrense, fl. 172).



Pastelaria

 

Dependência conventual descrita no Real Edifício de Mafra: "A Pastelaria [...], é uma casa grande, e majestosa. Logo que se entra nela, acha-se um corredor formado entre a parede do Nascente, e a grande chaminé, que se estende até à parede do lado oposto. No fim deste corredor, que tem 21 palmos de comprido, sobre o pegão do ângulo da chaminé e da pilastra, que lhe corresponde na parede, está formado um grande arco de cantaria. No fundo da casa defronte do dito corredor está outra chaminé, e ao lado desta um corredor com arco semelhantes aos da entrada, e por este modo defronte de cada corredor há uma chaminé, uma encostada à parede do Norte, outra a do Sul, mas desencontrada uma da outra, assim como também os corredores, e arcos são desencontrados. Tem a casa de comprido em toda a sua extensão 95 palmos, e de largo 32 e de alto 39. Cada chaminé tem de fundo o mesmo que o corredor próximo tem de comprido, isto é 21 palmos. [...]. Cada forno tem por cima um vão, que forma uma casa do mesmo tamanho, que servem de estufas, e onde se pode conservar doce, ou outras coisas semelhantes, livres de humidade. Para estas estufas, que têm a entrada nas paredes dos corredores, se sobe por escadas de mão. No fim do segundo corredor está um portal, por onde se entra para as casas da carne, e destas se passa para a cozinha. Toda a casa é iluminada por quatro janelas em duas linhas, as quais deitam para o pátio designado pelo n. 167 estão as duas superiores na mesma linha que as duas inferiores. Na parede do 2.º corredor há mais outra na mesma linha, que as duas inferiores. No meio da parede do Nascente está uma janela semicircular sobre o portal fingido, que está no meio do corredor da Portaria, a qual comunica a luz da Pastelaria para o mesmo corredor. Há nesta casa um bom engenho para moer mostarda, e outras coisas semelhantes, o qual é de jaspe. Toda a casa é cercada de largos assentos de pedra encarnada, firmados sobre cachorros de pedra branca, e só os não há no espaço ocupado pelas chaminés, pelo tanque, e outro tanto espaço na parede defronte do tanque. Este famoso tanque, feito de uma só pedra encarnada e que pelo seu feitio parece exteriormente uma urna, ou altar à Romana, tem de comprido 14 palmos, e de fundo 5 e 1/4 está encostado à parede do Poente, e nele corre água por uma torneira, e tem 5 palmos de largo. Defronte dele, e próxima à parede, está uma mesa de uma só pedra da mesma qualidade que tem de comprido 15 palmos, e de largo 4. Descança sobre pilares de pedra branca da mesma largura, e entre estes estão vários armários com portas de um e outro lado e aos quais a pedra da mesa serve de tecto. Defronte, e próxima a cada uma das chaminés, está uma mesa da mesma qualidade de pedra, que tem de comprido oito palmos, de largo 3 menos 1/8 e armários entre os pilares de pedra branca, que a seguram" (Frei João de Santa Ana, fl. 162-164).



Lavatório da Cozinha

 

Ver Lavatório das Ervas.



Lavatório das Ervas

 

Real Edifício Mafrense: "[...] corresponde perfeitamente no tamanho, e feitio ao lavatório dos hábitos, [...]. Entrando-se da casa n. 165 para esta, logo ao lado esquerdo tem, entre o portal e a parede do Norte, no canto um tanque de pedra branca, o qual tem de comprido sete palmos e 1/4, de largo, 4 e 1/4 e de alto o mesmo; e unida a ele uma mesa de pedra da mesma altura, e largura, a qual chega até à ombreira do portal do topo do Norte. Junto à outra ombreira do mesmo portal no canto fronteiro deste, está outra mesa, e outro tanque do mesmo tamanho e feitio. O dito portal, que está entre eles, dá entrada para a cozinha velha. Defronte do portal, que da casa n. 165 dá entrada para esta, há outro portal para a casa n. 157 a qual é imediatamente a portaria do Norte, e para ela tem portal, como já se disse entre o dito portal do lavatório, e o canto do Poente, está encostada à parede do lado do Nascente uma mesa de pedra firmada sobre pilares da mesma, e nela três alguidares, a qual mesa só é cortada pelo vão de outro portal, que está entre o segundo e terceiro alguidar, e dá entrada para a casa n. 152 onde está formada uma escada da Enfermaria velha, e debaixo do 1.º lanço dela uma cloaca, como já fica dito. Desta cloaca se servem os Páteiros. Defronte dos ditos alguidares, e encostada à parede do Poente, entre o portal da casa n. 165 e o canto, está outra mesa de pedra, que toda a dita extensão, e nela quatro alguidares no nível da mesma mesa, parecendo tudo uma mesa de igual superfície, e só interrompida pela concavidade dos alguidares, cada um dos quais tem três palmos e meio de diâmetro, e o mesmo têm também os do lavatório dos hábitos. No meio da casa está uma mesa de uma só pedra, que tem seis palmos de largo, e de comprido quinze menos 1/4. No topo do Poente Sul tem um portão com muitos vidros, que comunicam abundante luz para a casa, juntamente com duas janelas, que estão aos lados. Por este portão se entra para o pátio n. 167 [para onde se depenava toda a casta de aves]. Chama-se esta casa o lavatório das ervas, porque aí se costumam lavar, e migar as que se hão-de cozer na cozinha. Também nela se escama o peixe" (Frei João de Santa Ana, fl. 170-171).