Coordenadas Geomânticas do Monumento de Mafra


Aspecto não menos relevante e igualmente polémico da questão, também não esclarecido pelo voto de D. João V é a razão ou razões por que foram as imediações de Mafra o local eleito para a edificação.

Diversos autores estrangeiros (Merveilleux, José Gorani, Duque de Châtelet, Lady Jackson, etc.), bem como alguns nacionais, aludem a uma cláusula segundo a qual o Convento a edificar se destinaria à comunidade religiosa mais indigente que existisse no Reino. Alegadamente, concluiu-se que tal acontecia em Mafra, onde uma cabana, utilizada nas missões anuais dos franciscanos, servia aos religiosos (40).

Seja como for, é conhecido o empenho que, a partir de 1622, D. João Luís de Meneses pôs na fundação em Mafra de um cenóbio destinado aos arrábidos. O desiderato vira-se gorado em virtude da sua morte súbita, em Madrid, quando ali se dirigira com o objectivo de solicitar licença à Corte espanhola para a concretização de um suposto voto feito por antepassado seu, casado com uma terceira neta de Pedro Álvares Cabral.

Em 1705, o donatário da Vila de Mafra, Visconde de Vila Nova de Cerveira, D. Tomás de Lima de Vasconcelos Brito e Nogueira, lembra a um pregador da Ordem Seráfica, a quem hospedara no seu Palácio, as diligências de D. João Luís de Meneses e as suas próprias com vista à edificação no terreno da sua quinta. Instado pela Ordem de S. Francisco, o Desembargador do Paço dá então um parecer negativo, fundado na circunstância de o Reino se encontrar muito onerado de conventos mendicantes, apenas permitindo, em Maio de 1711, se procedesse à benção da ermida de Santo António, existente naquela propriedade do Senhor de Mafra (41).

Apenas alguns meses volvidos, aquele magistrado seria contraditado pelo Magnânimo. Como explicar tão súbita e radical mudança de atitude ? A que factores atribuir o facto ? Mero capricho do soberano ?

Duas justificações hodiernas têm contribuído para lançar poeira sobre o assunto, iludindo-o. Assim, segundo elas, a escolha do local teria sido condicionada por:

1.  O culto à Grande-Deusa, em geral, e à Senhora do Ó, em particular, rastreável no próprio topónimo Mafra;

2.  A existência do remanescente de um cone vulcânico no Alto da Vela.

Ambas estas hipóteses, consagradas sem reflexão, necessitam ser desmistificadas.

Quanto à primeira, é inegável que tais cultos, associados à fertilidade, existiram e existem (42). Contudo esse argumento só colheria se o móbil do voto tivesse sido, e tudo leva a considerar que não foi, a obtenção de descendência. No que concerne à segunda, a ausência no Alto da Vela das rochas que invariavelmente, acompanham os afloramentos daquela natureza (como no Lexim ou na Serra do Socorro, por exemplo), deixa o proponente sem tese (43) !

É indiscutível que o sítio seleccionado não o foi ao acaso. Sabe-se que apesar da confiança que depositava nele, foi D. João V, quem nos finais de 1712, preterindo o local já eleito por António Rebelo da Fonseca, optou pelo Alto da Vela, a nascente e distante da Vila de Mafra cerca de 800 metros. Nas imediações existiam, certamente, outros terrenos onde a implantação do edifício não teria carecido de terraplanagens feitas, com grande dificuldade, a tiros de pólvora (44).

Que ponderosas razões poderão ter determinado a eleição de sítio aparentemente tão impróprio ?

Sómente as motivadas pela escatologia inerente ao regalismo de D. João V.

A conclusão poderá ser classificada de exagerada e inconsequente, porquanto não é universalmente reconhecido o zelo católico do monarca? Concedo que será, quando muito, polémica. Porém, certas circunstâncias tornam-na credível.

A imagem prevalecente do comportamento do soberano em assuntos de índole religiosa e, nomeadamente, face ao Papa, é mais um daqueles embustes forjados pela historiografia enfeudada ao curialismo. Mas até ela, tendenciosíssima por natureza, não consegue escamotear que o cristianismo do Magnânimo nem sempre foi coincidente com aquele propugnado pela Santa Sé (45).

De facto, as relações de D. João V com Roma raramente foram pautadas pela fidelidade, nem sequer a partir de 23 de Dezembro 1748 (Motu proprio Maxima ac iam praeclara), quando o Papa lhe atribuiu o tão almejado título de Fidelíssimo, o qual, não só o tornava par dos Cristianíssimo e Muito Católico soberanos de França e Espanha, como remetia para a figura do Rei-Messias-Restaurador, títulos frequentemente invocados pela Cristologia para descrever a soberania e o direito absolutos de Deus sobre a vida e a história humanas (46).

Tratando o Messias como se este fosse um Novo Salomão, o ideário a que aludo aponta para uma renovada ordem de coisas. Tal Messias deveria construir um Templo e uma Cidade, onde o culto divino e uma vivência santificada haviam de atrair todos os povos (47), preparando o advento da Jerusalém Celeste (48).

Esse Messias constituía o monte da Casa do Senhor (Isaias, II,2), o monte rochoso (Daniel, II, 34), a pedra humilde e estável (1 Cor., III, 11), fundamento do novo Templo, sede da Paz messiânica, caracterizada pela Nova Lei da convivência fraterna (49) e não beligerante (50).

Não é, por conseguinte, impunemente que o Doutor Miguel Luís Teixeira, vigário Geral do Bispado de Faro, após referir-se a Melquisedeque, em quem andava unido "o Sacerdócio com o Império", afirma, em 1750, perante o Infante D. Pedro:

No Soberano Rei nosso Senhor D. João V resplandeceu por virtude esta união, como se fosse Pontífice e Rei: como Pontífice zelava as Cerimónias, promovendo o Culto divino; como Rei abria os tesouros dando largamente em obséquio do Criador (51).

Nem tão pouco pode causar estranheza que lhe hajam sido aplicados vaticínios, como aquele, conforme a letra de uma  Trova do Bandarra:

 

Em Vós, que haveis de ser quinto [D. João V]

Depois de morto o segundo [D. Pedro II]

Minhas profecias fundo,

Nestas letras que Vos pinto (52).

 

Uma vez que D. João V pretendia convocar todas estas qualidades para si, impunha-se-lhe proceder em consonância. Ora não foi essa mesma missão aquela que o Magnânimo se impôs ao preferir o Alto da Vela ?

Só em 1716 começaram a ser abertos os alicerces. Em 1729, e desde Setembro do ano anterior, se empregavam (de acordo com Frei Cláudio da Conceição) 5000  operários, sob a direcção de D. Filipe António de Gavila, para desbastar uma elevação situada a sueste da Basílica, sendo o produto deste segundo desaterro usado para preencher, tal como o do primeiro, uma depressão fronteira ao edifício.

Francisco Xavier da Silva regista até que "ao abrirem os trabalhadores a terra do fundamento, achou um deles uma Imagem de Santo António, como se já este Glorioso Santo tivesse primeiro destinado aquele lugar para templo e Casa sua, do que Sua Majestade lhe mandasse abrir os alicerces " (53).

De facto, o sítio reunia todos os singulares pressupostos geomânticos capazes de realçar as excelências incomparáveis encarnadas pelo futuro omphalos do novo Reino, o Quinto Império do qual alguns (54) o adivinhavam (e talvez também D. João V a si próprio) instaurador (Quadro 2).

Requisitos, para mais esclarecidos pelo Evangelista Lucas (reportando-se a João Baptista, de quem o monarca foi aclamado émulo): "Aparelhai o caminho do Senhor: fazei direitas as suas veredas. Todo o vale será cheio e todo o monte e cabeço será arrasado. Os maus caminhos tornar-se-ão direitos e os escabrosos planos" (III, 4-5) (55).

Ainda assim, como justificar a escolha do "distrito da Vila de Mafra", expressa no Decreto de 26 de Setembro de 1711, após ter tido o terreno demarcado no Alto de Buenos Aires, no local onde, posteriormente, D. Maria I viria a construir a Basílica da Estrela ? (56)

 

Porque do ponto de vista de uma profecia joaquimita em circulação, o novo Tabernáculo havia de distar sete léguas da capital do Quinto Império, a qual reuniria em si o oriente e o ocidente!

A determinação do local adequado à implantação do monumento de Mafra foi, não há dúvida, criteriosamente calculada, tendo intervido para o efeito os engenheiros Manuel da Maia, empregue "na indagação das águas para a Real obra de Mafra, a que não só demarcou o caminho, e fez a sua representação, alçados e ponderações", mas também responsável por "sinalar meridianas assim em Mafra como em outras partes", bem como "balizar estradas em linha recta" (57), e Manuel de Azevedo Fortes, encarregue de apurar a "distância do caminho e léguas que desta vila de Mafra à corte e cidade de Lisboa" (58), por ele certificada em "seis léguas e um quarto e mil e duzentos e setenta e um palmos" (59).

 

Já agora acrescentarei que tal localização poderá igualmente haver sido ponderada face à proximidade da Igreja matriz da vila de Mafra, dedicada a Santo André, o primeiro dos discípulos a responder ao chamamento para o apostolado de Cristo.

Um panegirista do Magnânimo, Diogo Rangel de Albuquerque, dirá que, tratando-se do "Templo Maravilha dos Templos" e do "non plus ultra da Fé", só a parte mais ocidental do Mundo lhe poderia competir (60).

Argumento que foi, de resto, invocado para legitimar a candidatura de Lisboa a capital do Quinto Império.

 

NOTAS

(40) A Província de Santa Maria da Arrábida mandou estabelecer convento provisório numa casa da Albergaria e Capela do Espírito Santo, somente em 1711. As 12 celas, refeitório, cozinha, enfermaria e alojamento para 20 frades do improvisado convento, são transformados em guardiania, a 20 de Setembro de 1721. Robert Smith adopta tal ponto de vista, acrescentando, inspirado em carta do Núncio Bicchi e em documentos do Arquivo Secreto do Vaticano (v. 74, fl. 186, 208, 220), que o Convento de Mafra foi edificado em cumprimento de um voto de D. Pedro II e que apenas a Igreja se devia a D. João V, grato pelo nascimento da Infanta D. Maria Bárbara. The Building of Mafra, in Apollo, p. 362.

(41) Ayres de Carvalho foi quem deu a conhecer o documento até então inédito: ANTT: Colegiada de Santo André de Mafra, sala 25, caixa 49. Aproveito para rectificar o meu Achegas para a história urbana de Mafra até 1944 (Boletim Cultural ' 93, C. M. Mafra, a p. 180): apenas uma das capelas da Quinta dos Marqueses de Ponte de Lima era dedicada a Santo António, a outra tinha S. Jacinto por orago.

(42) Manuel J. Gandra (coord.), O Eterno Feminino no Aro de Mafra, Mafra, 1994.

(43) Orlando Ribeiro afirma que não se trata nem de rocha vulcânica nem de qualquer espécie de brecha, mas de um mármore preto com veios brancos e metamorfisado em contacto com o granito. Leon Bourdon, Notes Dominicales prises pendant un voyage au Portugal et au Brésil en 1816, 1817 et 1818 (por Louis-François Tollenare), Paris, 1971, nota 41. Quanto aos Mafraítos (que não existem em Mafra !) melhor seria designá-los Sintraítos ! Carlos Teixeira, O Maciço eruptivo da Serra de Sintra, Lisboa, 1981, p. 30-32.

(44) Em Janeiro de 1713 os terrenos são avaliados em 358.000 réis (e posteriormente em 14. 738$150 réis) por um grupo composto pelo notário de Mafra, Francisco Correia Soares, pelo juiz Manuel da Silva, o capitão José Batalha Leitão e José Rodrigues da Silva. Em 1747, foram lavradas nas notas do tabelião da Vila de Mafra, Martinho Roussado, 33 escrituras relativas às expropriações. Foi procurador, em representação do monarca, o Desembargador Eusébio Tavares de Sequeira. Consta que a 21 dos expropriados foram entregues baldios situados na Portela da Vila, Murgeira e Barreiralva. D. Fernando Pais de Almeida e Silva, in Boletim da Comissão de Arte e Arqueologia, Mafra, 1944.

(45) Padre Miguel de Oliveira, Privilégios do Cabido da Sé Patriarcal de Lisboa, Lisboa, 1950.  D. João V rompeu com a Cúria romana por decretos de 5 de Julho de 1728. O corte de relações duraria até 6 de Janeiro de 1738. As razões que alegadamente assistiam ao Magnânimo foram objecto de longas dissertações, como aquela de D. Francisco de Almeida, Apparato para a Disciplina e Ritto, Ecclesiasticos de Portugal [...]. Na qual se trata da origem e fundação dos Patriarchados de Roma, Alexandria e Antiochia e se descreve com especialidade o Patriarchado do Occidente, mostrando que as Igrejas de Hespanha lhe pertencião por direito particular, Lisboa Ocidental, 1735-1737 (4 vols.).

(46) 1 Reis, XVII, 1 ss.; 2 Reis, VII, 13; Salmos, LXXI, 8; Isaias, IX, 6; Jeremias, XXIII, 5; Ezequiel, XXXVII, 35; Daniel, II, 44; Oseias, III, 5 e XI, 1; Zacarias, IX, 9. Cf. Breve do Sanctissimo Padre Benedicto Papa XIV, pelo qual concede para sempre ao serenissimo rei de Portugal D. João V [...] o titulo de Fidelissimo, Lisboa, 1751.

(47) Isaias, XLV, 13 e LXII, 3-4; Jeremias, III, 17 e XXXI, 38-40; Ezequiel, XL e ss.; Zacarias, II, 4 e VI, 12.

(48) 3 Reis, VI, 7 e X, 1 ss.; Isaias, XXXIII, 20-21, LX, 18-21 e LXV, 16-18; Apocalipse, XXI-XXII.

(49) 3 Reis, IV, 24; Salmos, LXXI, 7; Isaias, II, 3-4 e XI, 5-8; Miqueias, IV, 1-3; Joel, XIII, 35 e XIV, 27; Actos, IV, 32 e X, 11-15.

(50) O seu triunfo e glória assentam na aparente derrota e imolação: Números, XXVIII, 19-22; Salmos, II, 6 e LXXI, 3-7; Isaias, IX, 6, XI, 4, LXII, 3 e LIII, 7; Jeremias, XI, 19; Oseias, I, 7.

(51) Oração funebre nas exequias, que à Magestade Fidelissima do Muito Alto, e Poderoso Rey, e Senhor D. João V celebrou na Catedral de Faro em 29 de Agosto de 1750 o Excellentissimo, e Reverendissimo Senhor D. Ignacio de S. Teresa, Arcebispo Bispo daquela Diocese, Lisboa, 1751, p. 11 [BN: L 3245 A]. Ver ainda Frei Tomás de Aquino, Oração funebre, e panegyrica nas Exequias do [...] Senhor D. João V celebradas pela Irmandade de N. Senhora de Monserrate da Nação Hespanhola no dia 23 de Outubro de 1750 na Igreja do Mosteiro de S. Bento de Lisboa, Lisboa, [1751], p. 15-16 [BN: L 1308 A]: "[...] querendo que a [Igreja] de Lisboa fosse entre as de Portugal a primeira, acreditando o Império com o Sacerdócio [...]"..

(52) Sobre o bandarrismo aplicado a Mafra, preparo estudo que brevemente darei a conhecer.

(53) Elogio fúnebre [...], p. 155. A propósito dos fundamentos do edifício e das fantásticas tradições que lhes andam associadas, ver infra Epílogo.

(54) Teodósio de Contreiras da Silva, Soneto em Louvor da generosa prodigalidade, com que dispende dos seus Erarios com o Culto Divino [BN: L 593 (47º) A]: "[...] Quinto João ! para vós este Hemisfério / É pouco; porém Deus senhor de tudo / Em prémio vos destina o Quinto Império [...]". Também o Padre António de Oliveira no sermão de exéquias Estátua de Ouro (Baía, 1750) [BN: L 1136 A], quando afirma, após passar em revista os quatro impérios da antiguidade, que D. João V, "o pacífico Salomão dos nossos dias", fora o renovador da Idade de Ouro, i. e., do Quinto Império. A referência amiúde ao Milagre de Ourique na parenética e na oratória setecentista indicia o topos. Outros exemplos no Quadro II e fig. ?. A D. José I foram creditadas as mesmas expectativas, como mostrarei noutra ocasião. Deste molde se comprovará a inexactidão da opinião avançada por Pinharanda Gomes, segundo o qual "o sec. XVIII rejeita toda a ideia de quinta imperialidade". Dicionário de Filosofia Portuguesa, Lisboa, 1987, p. 196. Rui Bebiano (Ob. cit., p. 71) regista na época "o nítido ascenso do fenómeno sebastianista" fora dos círculos cortesãos, o que pode ser testemunhado, meramente a título de exemplo, pelo Exame precizo dos fundamentos dos Sebastianistas nas mizerias em que se acha Portugal no anno de 1712 [BN: cod. 402, fl. 61r-70v], pelo processo inquisitorial de Pedro de Rates Henequin, sentenciado em 21 Junho 1744 ou, num sentido oposto, pelo Romance de Tomás Pinto Brandão, Aos declarados Encubertos, Lisboa, 1730 [BN: L 1394 A].

(55) A Carta que Clemente XI escreveu ao Magnânimo (18 Janeiro 1716) teve o condão de congregar todos os principais argumentos: "Pelo Arcebispo de Laodiceia, nosso Núncio, saberá Vossa Majestade das nossas angústias e de nossos perigos, ou melhor, das angústias e dos perigos da Igreja e da Religião. Digne-se Vossa Majestade ouvir os clamores e os gemidos de uma e de outra; nem recuse a oportunidade que se lhe oferece de ser defensor e libertador das duas. Tem a Divina Providência, como bem claramente vemos, um tempo oportuno, no qual Vossa Majestade se acha com forças assás válidas, e de todo livre de algum empenho de outra guerra, unicamente reservada a si esta glória que tornará para sempre memorável o seu nome nos anais da Igreja, nos quais, para perpétuo louvor da piedade e valor de Vossa Majestade, será registado como defensor da mesma Igreja no tempo em que se achava horrivelmente ameaçada pelos inimigos do nome cristão, na própria sede do seu chefe visível: Fuit Homo missus a Deo, cui nomen era Joannes [...]". Cit. em O Cardeal Nacional, p. 92-94. O nome do Magnânimo era festejado anualmente a 24 de Junho (S. João Baptista) e a 27 de Dezembro (S. João Evangelista). Tenham-se em vista as Serenatas cantadas no Paço da Ribeira durante as festividades "do nome da Sacra Real Majestade de João quinto" [BN: L 1303 A; L 1327 / 28 A], bem assim como os Sonetos e outras produções poéticas dedicadas "ao Augustissimo nome delRei Nosso Senhor D. João V" [BN: L 593 A].

(56) Alberto Pimentel, baseado em ms. da biblioteca dos Marqueses de Pombal, adianta que terá sido o Visconde de Cerveira, estribeiro-mor de D. Mariana de Áustria, quem com a conivência desta terá logrado convencer o monarca, alterando o rumo do seu desígneo. Ob. cit. , p. 72.

(57) Requerimento solicitando a promoção a brigadeiro de Infantaria (Maio 1738). Cf. Sousa Viterbo, Dic. Hist. e Doc. de Arquitectos, Engenheiros e Construtores Portugueses, v. 2, Lisboa, 1904, p. 128.

(58) AHMafra: Livro de Registo da Câmara, 207, fl. 125r-126v (14 Junho 1738). Ver ainda fl. 45v (1739). O cónego sevilhano Dr. Afonso Texedor alude à "finíssima calçada de sete léguas de distância, que vai de Lisboa a este sítio". Cf. Discurso Sagrado, Político, Moral (1751).

(59) Resta averiguar qual a medida itinerária utilizada no caso vertente: se a légua 18 ao grau (= 6,173 Km), a 20 ao grau (= 5,555 Km) ou a 25 ao grau (= 4,444 Km), visto que a légua portuguesa (= 5 Km) só passou a vigorar a partir de 2 Maio 1855. Quanto ao palmo podia corresponder a 22 ou 23 cm, conforme as regiões do país.

(60) Elogio Historico e Panegyrico [...], p. 10.