Capelas do Cruzeiro


          O Cruzeiro ou Transepto mede 200 palmos no seu eixo maior (norte-sul).

          Pilastras corínteas ocupam os intervalos das arcaturas que abrem os vãos de duas capelas dedicadas ao Santíssimo Sacramento e à Sagrada Família, respectivamente, cada um dos quais medindo 57 palmos de largura.

          Os enfiamentos das capelas formam duas naves, onde se sucedem uma capela colateral e três capelas laterais, todas dispondo de abóbadas cilíndricas apaineladas de vários mármores.

          Ambas as capelas do Cruzeiro possuem:

          *Retábulo em jaspe cinzelado pela Escola de Escultura de Mafra, ladeado por duas colunas compósitas de mármore rosa, encimadas por frontão triangular em mármore branco;

          *Altar em mármore e banqueta de bronze almofadada com mísulas de madeira sobre a qual assentam uma cruz com Cristo crucificado e seis castiçais de bronze com base triangular;

          *Quatro tribunas de varanda, em mármore branco;

          *Dois órgãos.

          Das suas abóbadas descem candelabros com armação de ferro e guarnições de bronze, sustentados por cadeias metálicas que suspendem da boca de serpentes 7 lâmpadas no altar do lado do Evangelho (capela da Santíssima Trindade) e 3 no lado da Epístola (capela da Sagrada Família). O seu modelo foi também cuidadosamente estudado, tendo José Zappati recebido instruções para seguir à risca a perfeição pretendida, bem como as respectivas medidas (Cartas de 1 de Outubro de 1732, 9 de Janeiro e 24 de Março de 1733). A 30 de Novembro de 1734, fazia saber que ao "mal feito das lâmpadas" acrescia a circunstância de terem chegado mal acondicionadas e, consequentemente, danificadas. Estes lampadários costumavam ser descidos durante a Semana Santa, para serem apagadas todas as suas luzes enquanto se cantava o Benedictus a laudas. Segundo Frei João de Santana, nestas ocasiões, os sineiros encontravam-se na varanda do Zimbório e na ocasião própria entravam para umas casas existentes sobre as capelas do cruzeiro ("casas dos engenhos"), faziam funcionar os sarilhos para os lampadários descerem e todas as suas lâmpadas serem simultaneamente apagadas por outros tantos leigos de sobrepeliz e espevitador na mão (fl. 287).